— Foi você que fez ela beber até ficar assim?!
— Eu não teria essa coragem — Gonçalo ergueu as mãos em rendição, fingindo inocência. — É melhor esperar a Ema acordar e perguntar a ela.
Dizendo isso, Gonçalo tirou um cartão do bolso e o estendeu a Alípio:
— Toma. É o meu quarto, no 33º andar. Leva a Ema para descansar lá.
Alípio pegou Ema nos braços, ainda mergulhada num sono profundo, e recusou:
— Não precisa. Vou levá-la para casa.
— Cara, você está bem? — Gonçalo bloqueou o caminho dele. — Você não vai aproveitar uma oportunidade perfeita dessas?
Alípio lançou um olhar fulminante:
— Eu não tenho fetiche em me aproveitar de gente vulnerável. Sai da frente.
Gonçalo abriu os braços, sem dar passagem:
— Você ainda quer reconquistar a Ema ou não? Se quiser, escuta o que eu tenho a dizer.
Alípio se sentou numa cadeira, ainda segurando Ema nos braços. Ficou observando o rosto avermelhado dela por um momento antes de dizer, em tom sombrio:
— Fala.
Com um sorriso travesso, Gonçalo foi até a mesa, pegou o celular de Ema e indicou que Alípio usasse o polegar dela para desbloqueá-lo.
— Caramba, ela nem salvou o seu número? Olha só como a sua importância na vida dela está lá embaixo.
Enquanto resmungava, Gonçalo digitou o número de Alípio. Na tela, apareceu o nome “Aquele Babaca”.
Gonçalo balançou o celular diante de Alípio, rindo:
— Bom, pelo menos você não é totalmente irrelevante para ela.
Alípio revirou os olhos:
— O que exatamente você está tentando fazer?
Gonçalo simplesmente ligou para o número de Alípio usando o celular de Ema:


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