No dia seguinte.
Depois de resolver as pendências do estúdio, Ema foi às pressas para a casa da família Amorim.
Assim que chegou à porta, ouviu vozes de duas mulheres conversando lá dentro.
Ela parou e olhou para o interior. No sofá da sala, sentada ao lado de Marisa Azevedo, estava outra mulher.
Parecia alguns anos mais nova que Marisa e exalava uma aura de elegância. As roupas mostravam que pertencia à alta sociedade, mas os olhos ainda traziam sinais recentes de choro.
Marisa tinha ligado logo cedo, pedindo que ela fosse até lá por causa de uma emergência. Pelo visto, tratava-se de uma visita inesperada.
Ema pensou em dar uma volta pelo jardim e esperar que terminassem de conversar antes de entrar.
No entanto, um dos funcionários da sala já a tinha visto e anunciou em voz alta:
— A senhorita chegou.
A voz ecoou pelo ambiente, e Ema decidiu entrar com naturalidade:
— Mãe.
Marisa se levantou depressa e foi ao encontro de Ema. Os funcionários se aproximaram sorrindo e pegaram as várias sacolas e caixas de suas mãos.
— Ema, venha cá, deixa eu apresentar. — Marisa puxou Ema até o sofá e disse: — Esta é a esposa do seu tio, tia Arlete Nunes.
Ema fez um aceno respeitoso com a cabeça:
— Olá, tia Arlete.
— Olá, querida. Sente-se, por favor. — Arlete enxugou delicadamente as lágrimas nos cantos dos olhos e falou em voz branda.
Marisa puxou Ema para se sentar ao seu lado, mas, de vez em quando, apertava sua mão de forma significativa. Ema sentiu que a mãe tinha algo importante a dizer; mesmo depois de se sentarem, ela não soltou sua mão.
Marisa se virou para Arlete e disse:
— Cunhada, eu a chamei aqui, como combinamos. Pode falar.
Ema franziu a testa, mantendo o silêncio. O que aquela mulher, que ela nunca tinha visto antes, poderia querer com ela?


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