Dessa vez, foi Alípio quem não disse nada.
Seu olhar profundo pousou no rosto de Ema por um instante, antes de se desviar para longe. Em seguida, acendeu outro cigarro e começou a fumar com uma expressão fechada.
Ema curvou os lábios em um sorriso irônico e disse em tom de deboche:
— Vai querer o Bosque dos Ipês de volta? E os presentes caros da inauguração? E os outros gastos menores, também vai me cobrar? Mas, sinceramente, eu não quero devolver nada. Antes, a culpa era da minha própria ingenuidade por não dar valor ao dinheiro. Agora eu entendo que as pessoas são as menos confiáveis e que o dinheiro é a única coisa em que dá para confiar.
Depois de dizer isso, Ema tirou o casaco dos ombros e o pendurou na grade:
— Minha casa não fica longe daqui. Vou a pé. Tchau.
Assim que Ema deu o primeiro passo, Alípio prendeu o cigarro entre os lábios e agarrou o braço dela:
— Entra no carro. Não é seguro aqui. Eu te levo.
Em seguida, apagou o cigarro e a conduziu de volta para o veículo.
Durante todo o trajeto de volta, nenhum dos dois disse mais uma palavra.
....................
Ao meio-dia do dia seguinte.
Assim que Ema terminou o que estava fazendo e se sentou na cadeira do escritório, Hortensia apareceu e lhe entregou o celular:
— Ema, olha aqui o que a gente vai comer hoje. Eu faço o pedido.
Enquanto Ema escolhia, bateram à porta. Ela continuou olhando as opções de comida e respondeu:
— Pode entrar.
— Ema!
Uma voz alegre e clara ecoou. Ema levantou os olhos para ver.
Eram Marisa e Givaldo. Ele carregava duas bolsas térmicas nas mãos.
Ema se levantou depressa:
— Mãe, Givaldo, o que vocês estão fazendo aqui?

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