Alípio não respondeu. Apenas pegou a mão dela e a puxou para fora:
— Vou te levar para casa.
Ainda bem que ele não tinha conseguido ficar tranquilo com toda a questão do reconhecimento da família naquela noite e ligou para Givaldo. Foi assim que soube que todos haviam saído atrás de Amanda, deixando Ema sozinha ali.
Ele já nem lembrava quantos sinais vermelhos tinha cruzado para chegar o mais rápido possível.
A noite estava um pouco fria, e as mãos de Ema estavam geladas. Ele as segurava com firmeza enquanto ela tentava se soltar.
Mas Alípio não demonstrava a menor intenção de soltá-la. Ao chegarem ao carro, praticamente a colocou no banco do passageiro e, rapidamente, afivelou o cinto de segurança nela antes de dar a volta e assumir a direção.
Ema parecia não ter mais forças para resistir. Ficou sentada ali, olhando fixamente para a casa da família Amorim com um olhar vazio.
Quando o carro saiu do condomínio, Ema abaixou o vidro e encostou a cabeça perto da janela, deixando o vento bater em seu rosto.
Alípio achou que o vento da noite estava frio demais e fechou a janela, mas Ema apertou o botão e a abriu de novo.
Depois de repetirem aquilo algumas vezes em silêncio, Alípio soltou um suspiro derrotado.
Virou o carro na direção do rio próximo à cidade e, alguns minutos depois, estacionou à beira da rua.
Alípio desceu, abriu a porta para Ema e perguntou gentilmente:
— Quer sentar um pouco aqui?
Sentindo a brisa suave que entrava, Ema hesitou por um instante e desceu do carro em silêncio.
Alípio pegou um casaco extra no porta-malas e o colocou sobre os ombros dela.
Vendo Ema olhar para o rio escuro ao longe sem dizer nada, Alípio tirou um cigarro do bolso e se afastou um pouco.
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