Nesse ponto, a expressão de Thaísa se entristeceu, e seus olhos se encheram de dor:
— Na nossa família, meu sogro, meu marido e a Vitória, os três têm problemas cardíacos. Minha sogra não tem condições de trabalhar. Eu preciso cuidar do meu filho e do meu marido, então o peso daqueles dois idosos caiu todo sobre os ombros da Vitória. Antes de ter as crises, ela já sofria com dores no peito com frequência. Ela sempre dizia que aquilo era castigo pelos pecados dela.
Thaísa continuou, aproximando-se ainda mais de Ema:
— Depois de eu insistir muito, descobri que, há alguns anos, ela estava cuidando de uma gestante no Solar do Vale. O salário era ótimo, o suficiente para sustentar a família e comprar os remédios contínuos de todo mundo. Mas um dia meu sogro teve uma crise repentina e precisou urgentemente de dinheiro. Naquela época, uma mulher procurou a Vitória e disse que, se fosse feito um teste de paternidade, ela teria que trocar alguma coisa e falsificar o resultado. A gestante de quem ela falou era você, Ema.
Ao ouvir isso, Ema continuou reprimindo a confusão no peito e perguntou com calma:
— Que mulher foi essa?
Thaísa respondeu:
— Vitória disse que era uma mulher que certa vez esteve ajoelhada no Solar do Vale, chorando e implorando àquele homem.
Ema entendeu na hora. Se não era Helena, quem mais poderia ser?
As mãos de Ema agarraram involuntariamente a barra da blusa, e uma raiva intensa tomou conta dela.
Logo em seguida, ouviu Thaísa dizer com seriedade:
— Vitória disse que percebia que você não queria mais viver com Alípio, que queria ir embora. Então ela se consolou pensando que, na verdade, estava te ajudando, e não cometendo um pecado.


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