Antes que Ema pudesse terminar de falar, Alípio estendeu os braços de repente, puxou-a para um abraço apertado e afundou o rosto na curva do pescoço dela. Com a voz embargada, murmurou:
— Ema, me perdoa... Desde o momento em que nos casamos, eu só te fiz mal...
— Me solta! — exigiu Ema, empurrando e esmurrando o peito dele enquanto insistia: — Eu estou te perguntando: onde está o Samuel?!
Alípio deixou que ela batesse e até o mordesse; não a soltou em momento algum. Pelo contrário, apertou o abraço ainda mais.
Entre os movimentos de resistência de Ema, ele falou, perdendo o controle emocional:
— Ema, eu sei que você me odeia. Pode bater, me castigar, fazer o que quiser... Desde que me perdoe, eu faço qualquer coisa.
O coração de Ema virou um caos. Pouco antes, ele estava agindo como uma pessoa normal, e agora parecia ter enlouquecido.
Ela tinha voltado à sala apenas para se certificar de que Zenobia estava bem e correu logo depois para procurá-los. O que diabos poderia ter acontecido em tão pouco tempo?
Mesmo que tivessem brigado feio, não era para Alípio estar daquele jeito...
Ema parou de se debater. Esperou até que ele parecesse um pouco mais calmo e, com o tom glacial, ordenou:
— Me solta.
Alípio hesitou por alguns segundos antes de finalmente soltá-la.
No entanto, assim que ele afrouxou os braços, a mão de Ema voou impiedosamente contra o rosto dele, num tapa estalado.
Mas Alípio não demonstrou o menor sinal de raiva por ter sido atingido.


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