Samuel, chocado, apoiou-se na parede e se levantou do chão aos tropeços:
— O que você disse?! Como descobriu isso?!
Ao ouvir as palavras de Samuel, as veias na testa do rosto bonito de Alípio saltaram imediatamente, e seu maxilar se contraiu.
Ele ficou imóvel; suas mãos se fecharam em punhos tão cerrados que os nós dos dedos ficaram brancos, e seus olhos transmitiam uma frieza capaz de congelar o ar ao redor.
No segundo seguinte, agarrou novamente o colarinho ensanguentado de Samuel e, contendo a fúria na voz, exigiu:
— Você também sabia? Desde quando? Fala!
Samuel deu um sorriso amargo e afastou violentamente o braço de Alípio. Cerrando os dentes, respondeu num tom firme:
— Além de você, todo mundo sabia!
Samuel se encostou à parede para manter o equilíbrio e riu com ironia:
— Existe coisa mais patética do que isso? E o pior é que aconteceu logo com você, um homem que se acha no topo da cadeia alimentar. Eu não sei se te chamo de idiota ou de inteligente demais.
Percebendo que Alípio estava paralisado e completamente em silêncio, Samuel continuou a provocá-lo:
— Talvez você devesse tentar se lembrar de quando forçou a Ema a abortar e de como a humilhou! Provas? Você foi atrás dessas “provas” com uma venda nos olhos?
Samuel foi se exaltando cada vez mais e, indignado, disparou:
— Se fosse eu no seu lugar, teria escolhido acreditar na Ema e em tudo o que ela disse! Mas você, Alípio, é incapaz disso. Mesmo que pudesse voltar no tempo, faria tudo igual. Porque gente como você não confia em ninguém além de si mesma! Se a Ema ficasse com você, você nunca conseguiria fazê-la feliz. Você não a merece!
Depois de dizer isso, Samuel desceu as escadas cambaleando.

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