— Chega!
Ema o interrompeu de forma áspera e o empurrou com força, baixando o olhar para o peito dele, que subia e descia rapidamente.
— Alípio, você já fez show demais! Por acaso se lembra do que eu te falei quando você me arrastou para o hospital e tentou tirar a vida dos meus bebês?!
Enquanto gritava a repreensão, Ema dava passos atordoados para trás, cega pelo pânico e pela dor.
— Ema, sobre isso, deixa eu explicar...
Alípio começou a dizer, mas, de repente, o pé de Ema escorregou no degrau e seu corpo despencou para trás.
— Cuidado!!!
Num piscar de olhos, Alípio agarrou o corrimão com uma das mãos, enlaçou a cintura fina dela com a outra, puxando-a firmemente para si. Com agilidade, saltou para o degrau logo abaixo de Ema, usando o próprio corpo como escudo para protegê-la.
O susto deixou Ema com um frio gelado se espalhando pela espinha. Quando os sentidos finalmente voltaram ao normal e ela percebeu que ambos estavam seguros nos degraus, exigiu:
— Me solta. — Tentou se desvencilhar, empurrando o peito de Alípio para sair do abraço.
No entanto, ao empurrá-lo, Alípio, que ainda fazia força para sustentá-la, perdeu o equilíbrio e escorregou.
A luz do sensor de movimento piscou fracamente, e Ema assistiu, horrorizada, enquanto ele rolava escada abaixo até bater no patamar do andar inferior. Depois disso, seu corpo ficou imóvel, sem se mexer.
— Alípio!!!
As mãos de Ema começaram a tremer, e sua voz vacilou de pavor.
Ela tirou os saltos depressa e voou escada abaixo. Ajoelhou-se desesperadamente ao lado dele e chamou, com a voz esganiçada:
— Alípio, você... acorda!

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