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Acusada de Traição, Volto com Três Filhos romance Capítulo 331

Pouco tempo depois, Marcos saiu de um corredor, correndo apressado.

Abriu a porta do carro, sentou-se no banco do motorista e, inclinando-se para o banco de trás, perguntou com preocupação:

— Sr. Salazar, como foram as coisas?

— O que você acha? — respondeu Alípio friamente, de cabeça baixa, deslizando o dedo pela tela do celular.

Marcos levantou o polegar num gesto animado. Enquanto sorria satisfeito, Alípio voltou a falar:

— Você acha mesmo que alguém que se escondeu de você por anos daria a mínima para o que você tem a dizer?

Marcos ficou sem palavras.

Ao ouvir o tom sarcástico, recolheu o polegar, sem graça. Pigarreou e disse:

— Sr. Salazar, fique tranquilo. Eu vou ajudá-lo.

— E o que você sabe fazer? Entende de mulheres? — Alípio continuou rolando a tela do celular sem sequer erguer os olhos.

Marcos engoliu em seco.

Tomando coragem, arriscou um conselho:

— Sr. Salazar, para começar, o senhor poderia tentar mudar a sua forma de falar.

Ele mal tinha chegado à metade da frase quando viu Alípio erguer a cabeça para encará-lo, os olhos ligeiramente estreitos revelando um traço de perigo.

Marcos se apressou em completar:

— Quero dizer... quando o senhor falar com a Sra. Ema, poderia ser um pouco mais gentil...

Alípio franziu a testa, e um lampejo quase imperceptível de suavidade cruzou seu olhar, até então gélido.

Depois de um instante de silêncio, mudou de assunto:

— O documento do carro que ela estava dirigindo, você já verificou?

Marcos lançou-lhe um olhar cauteloso e respondeu:

— Já verifiquei. Está mesmo no nome de Givaldo.

— Givaldo... — Alípio franziu o cenho e murmurou para si mesmo. — Tem certeza de que é aquele Givaldo, o dono do Estúdio Olhar Nobre?

O coração de Marcos disparou. Nos últimos dias, ele vinha investigando sem parar e parecia ter descoberto um segredo bombástico.

Mas não ousava dizer nada naquele momento. Apenas respondeu respeitosamente:

— Sim, Sr. Salazar.

Alípio ajeitou a camisa e ordenou, com indiferença:

— Hum. Continue investigando.

— Sim, Sr. Salazar. Amanhã mesmo organizarei e imprimirei tudo o que descobri, e enviarei para o seu e-mail pessoal.

Marcos ligou o motor e saiu com o carro suavemente da garagem.

Assim que deixaram o subsolo, a voz de Alípio soou de repente do banco de trás:

— Ela mora aqui? Em qual andar?

As mãos de Marcos no volante começaram a suar.

Ele já havia mandado alguém descobrir o andar.

Embora afundasse o corpo de vez em quando, o beijo profundo, forçado e dominador de Alípio continuava assombrando sua mente.

As mordidas punitivas dele, as sucções intensas...

A respiração pesada junto ao seu ouvido durante aquele contato tão próximo...

E, enquanto ela se debatia, o quadril dele pressionado contra ela, imóvel. Ela controlada, sentada no colo dele, e o corpo dele...

Ema esfregou o rosto com frustração, jogando água sobre a pele sem parar.

Tudo aquilo tinha que ser apenas uma ilusão.

Ou melhor, devia ser nojo e repulsa, exatamente como o gesto dela de limpar os lábios tinha demonstrado.

Na pior das hipóteses, tinha sido só o desejo momentâneo de uma mulher adulta normal.

Enfim, ainda que houvesse mil razões para aquela cena continuar ecoando em sua cabeça, nenhuma delas podia ser porque ela sentia algo por ele.

Quando saiu do banheiro, as duas senhoras já tinham ido descansar.

Na ponta dos pés, Ema caminhou até o quarto das crianças. Ao vê-las dormindo profundamente, um sorriso carinhoso surgiu em seu rosto.

Nos últimos dias, ela e Zenobia estiveram tão ocupadas ajudando Samuel a organizar o funeral da mãe dele que quase não tiveram tempo de ficar com os pequenos.

E o fim de semana já estava quase chegando de novo. Desde o início das filmagens, o tempo que Ema passava com eles aos sábados e domingos tinha diminuído muito.

Ela acariciou a cabecinha de cada um e lhes deu um beijo de boa-noite, um por um.

Se um dia Alípio descobrisse a verdade e tentasse tirá-los dela, teria forças para lutar?

Ema apoiou-se ao lado do berço e suspirou, incapaz de conter as lágrimas que logo lhe encheram os olhos.

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