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Acusada de Traição, Volto com Três Filhos romance Capítulo 330

Ema apertou os lábios e, entrando no jogo que ele havia aberto, respondeu com frieza:

— Isso mesmo. As três crianças que você tentou matar no passado. Elas estão vivas, saudáveis e são adoráveis.

Junto com aquelas palavras, o olhar de Ema disparou como uma lâmina de gelo na direção de Alípio.

O pomo de adão dele moveu-se instintivamente.

A mão que repousava em sua cintura travou, imóvel.

Ema continuou encarando-o com intensidade e, entre os dentes, declarou:

— Já respondi o suficiente. O Sr. Salazar poderia, por favor, me deixar ir agora? Meu marido e meus filhos estão me esperando.

Os olhos de Alípio percorreram o rosto pálido e delicado dela, mas no canto dos lábios dele surgiu um sorriso sutil, quase imperceptível.

Ele se inclinou até o ouvido dela, acariciou-lhe o rosto com os dedos longos e falou com a voz rouca:

— É mesmo? E se esse seu marido soubesse que agora você está dentro de um carro, numa garagem, sentada no colo de outro homem e sendo beijada por ele... o que ele acharia?

Ema ficou sem resposta.

Tentou se levantar, mas o braço musculoso de Alípio logo a apertou com força.

— Se eu não viesse atrás de você, você pretendia se esconder de mim para sempre, não é?

Ele a envolveu firmemente nos braços, sentindo o batimento do coração dela e o calor do seu corpo.

Enquanto sussurrava em seu ouvido, seus dedos afastavam com suavidade os fios de cabelo que caíam sobre seu rosto.

Seu olhar desceu casualmente para o decote levemente aberto da blusa de seda fria que ela vestia.

A pele clara como porcelana fez com que ele engolisse em seco, incapaz de se controlar.

E Ema, forçada a permanecer sentada em seu colo, também estava sentindo tudo.

Naquele momento...

Ele...

Em uma fração de segundo, um constrangimento absurdo tomou conta de Ema, e ela sentiu o corpo inteiro arder.

Seu rosto branco rapidamente se tingiu de escarlate.

Sem conseguir se mexer, tudo o que pôde fazer foi virar o rosto para o outro lado, fugindo do olhar dele.

Ao ver a reação dela, Alípio esboçou um sorriso perverso.

A voz grave, levemente ofegante, soou outra vez junto ao ouvido dela:

Apertou o botão de destravar, abriu a porta, virou-se, arrancou o celular das mãos dele e saiu.

Com uma sequência rápida de movimentos, estava finalmente do lado de fora.

Foi só então, ao ajeitar a roupa, que percebeu que dois botões da blusa haviam se aberto em algum momento.

Ema ficou sem palavras.

Enquanto isso, Alípio continuava recostado de forma preguiçosa no banco do carro. Um braço repousava no apoio central e o outro na janela.

De olhos semicerrados, observava Ema abotoar a blusa às pressas, com um sorriso enigmático.

Ao perceber aquilo pelo canto do olho, Ema virou-se imediatamente de lado para terminar de se arrumar. Depois, lançou-lhe um olhar gelado e disparou:

— Alípio, vou dizer isso pela última vez. Não temos mais absolutamente nada um com o outro, e isso já faz anos. Siga a sua vida e pense bem no que está fazendo.

Depois dessas palavras, deu-lhe um último olhar furioso e saiu a passos rápidos e firmes.

De dentro do carro, através da janela, os olhos de Alípio acompanharam a silhueta decidida de Ema até ela desaparecer de vista.

Com o olhar afiado fixo na garagem silenciosa, permaneceu sentado por vários minutos antes de pegar o celular, abrir um aplicativo e enviar uma mensagem de voz:

— Venha buscar o carro.

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