No dia seguinte.
Como de costume, Ema cuidou da higiene das crianças e tomou café da manhã com elas.
Em seguida, as duas senhoras e o motorista levaram os pequenos para a escolinha.
Ela foi trabalhar no Estúdio Olhar Nobre.
Assim que entrou no escritório, percebeu que a mesa de centro e a sua mesa de trabalho estavam completamente tomadas por flores — tantas que mal se via a superfície dos móveis.
O ambiente inteiro estava impregnado por uma fragrância floral suave e constante.
— Ema, trouxe seu café. — A voz animada de Hortensia veio acompanhada de uma batida à porta.
Ela entrou em passinhos curtos e colocou a xícara sobre a mesa.
Ema apontou para as flores e perguntou, desconfiada:
— O que é isso tudo?...
Hortensia franziu a testa e respondeu:
— Ema, eu também não sei. Quando cheguei de manhã, já estava assim. Ninguém comentou quem mandou.
Enquanto procurava algum cartão entre os arranjos, Ema disse:
— Entendi. Vai lá na recepção perguntar.
Hortensia assentiu:
— Tá bom, Ema.
Alguns minutos depois, voltou correndo da recepção.
— Ema, o pessoal lá embaixo disse que as flores foram entregues assim que o estúdio abriu. Os entregadores falaram que eram para a dona do carro esportivo cor champanhe. E, bem, a única pessoa por aqui com um carro desses é você.
Henrique?
Ema franziu a testa. Tirando ele, não deveria ser mais ninguém.
Ela ainda nem tinha tido tempo de ir buscar o carro...
Mas o que significava ele lhe mandar flores?
Ema olhou a hora. Tinha que ir ao estúdio de gravação naquele dia e não podia perder tempo com aquilo.
Antes mesmo que Ema falasse, Givaldo fez a pergunta diretamente.
Ela se sentou devagar de frente para ele, pensou por um instante e respondeu:
— Givaldo, se isso for parar no tribunal... fui eu quem gerou as crianças, cuidei delas e as criei sozinha até hoje. Eu tenho total capacidade de dar a elas uma vida estável. O juiz não daria a guarda para ele, daria?
Givaldo fez uma pausa e respondeu:
— Ema, eu já te disse para não se preocupar com isso. Se ele tem bons advogados, eu também tenho. Vou fazer o meu melhor...
Ema cerrou os punhos com força e, em seguida, começou a esfregar as mãos nervosamente.
Por mais confiante que Givaldo parecesse, ela continuava apavorada.
Jamais suportaria a ideia de ver os pequenos sendo levados para viver com Alípio.
Ela não aguentaria.
Givaldo percebeu a angústia de Ema e continuou tentando acalmá-la:
— Não se desespere. Além disso, não teve aquele erro no teste de DNA? É provável que ele ainda nem saiba que as crianças são dele. Mas... o que eu acho estranho é que esse tipo de exame é feito por clínica especializada, e você mesma disse que foi gente dele que cuidou disso. Como poderia ter dado errado?

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