— Sr. Salazar, aquele é o pai deles, Givaldo, que também é o dono do Estúdio Olhar Nobre. A relação deles nunca foi tornada pública.
Marcos, ao lado, seguiu o olhar de Alípio e informou.
Alípio não conseguiu deixar de perguntar:
— Por que o campo da mãe está em branco no contrato?
Marcos respondeu respeitosamente:
— Quando assinamos o contrato, eu também disse que os dados de ambos os pais precisavam constar. Mas Givaldo afirmou que é divorciado, que a mãe foi para o exterior, abriu mão da guarda e não tem responsabilidade parental. Então eu não insisti.
Alípio ficou em silêncio, olhando ao longe a cena das crianças se jogando nos braços de Givaldo. Sentiu, de forma inesperada, uma pontada de vazio no peito.
— Está olhando o quê? Com inveja dele? O que você fez todo esse tempo? — resmungou Diogo, apoiado na bengala, ao se aproximar.
Alípio franziu a testa, mas respondeu com sua habitual voz baixa e calma:
— Vovô, o senhor pode brincar um pouco por aqui primeiro. Eu vou esperar o senhor na sala de descanso.
Diogo:
— Espera aí. Vai e organiza tudo. Hoje à noite eu quero jantar com esses pequenos fofos.
Os passos que Alípio acabara de dar pararam de novo.
— Vovô... — ele ainda tentou argumentar, mas Diogo o interrompeu:
— Não quero ouvir nada do que você tem a dizer. Eu quero jantar com eles.
Alípio:
— ...
Lançou um olhar impotente para as pessoas que já vinham caminhando na direção deles e continuou, com o mesmo tom calmo:
— Vovô, se o senhor conseguir convencê-lo, eu cuido do resto.
Diogo franziu a testa:
— Convencer quem? O pai deles? E por que eu faria isso? Eu só preciso que as crianças concordem. Espera e você vai ver.
Depois de dizer isso, deu dois passos, parou de novo e olhou desconfiado para Alípio:
— Você tem certeza de que investigou isso direito? Essas crianças realmente não são da Ema?
— Sim.
A resposta de Alípio veio sem a menor hesitação.
Seus olhos encontraram os de Diogo com serenidade.
A mão de Alípio enrijeceu por um instante, e ele perguntou em seguida:
— Sabe o que fazer?
Ao ouvir a pergunta, a mente de Marcos começou a girar em alta velocidade. Ele respondeu, meio hesitante:
— O senhor quer dizer... que, quando ela falecer, devo mandar alguém prestar condolências?
Marcos sabia um pouco sobre a relação entre Ema e a família Machado.
No geral, os pais de Samuel sempre tinham sido muito acolhedores com Ema.
E a intenção de Alípio seria...
Antes que Marcos pudesse adivinhar com certeza, Alípio voltou a falar:
— Você está comigo há tanto tempo e acompanhou tudo, grande e pequeno.
Dizendo isso, levantou-se do sofá, foi até o purificador de ar no canto, pegou um cigarro, acendeu-o e acrescentou friamente:
— Você acha que se trata só de ir prestar condolências?
Marcos mergulhou de novo em pensamentos. A maior sensação de trabalhar ao lado de Alípio era a de precisar de um poder sobrenatural.

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