Um poder sobrenatural que lhe permitisse ler a mente dos outros, só para não precisar gastar tanta energia tentando adivinhar.
Às vezes, o chefe simplesmente dava ordens claras, explicando tudo diretamente.
Mas, de vez em quando, fazia perguntas, rebatia, deixava no ar — e ele tinha que adivinhar. E, se errasse, a culpa ainda era sua por falta de competência.
Embora Marcos não soubesse exatamente o que Alípio queria dizer, já tinha uma ideia geral.
— Entendido, Sr. Salazar. Quando chegar a hora, vou cuidar de tudo adequadamente.
— E mais uma coisa.
Assim que Marcos terminou de falar, Alípio continuou.
Apontou através da porta de vidro para as crianças, debaixo do guarda-sol, ao longe:
— Você acha que eles se parecem comigo?
Marcos engoliu em seco. Será que o chefe estava ficando obcecado demais com aquilo?
Ainda assim, se observassem bem os traços, realmente havia muita semelhança.
Mas, pelo que ele próprio tinha acabado de ver, a relação entre as crianças e Givaldo era claramente íntima.
Como aquelas crianças poderiam ser de Ema?
Marcos respondeu com cautela:
— Eu não o vi quando era criança, mas eles certamente não eram tão bonitos e fofos quanto o senhor foi.
Depois de dizer isso, também olhou para longe.
Embora trigêmeos fossem raros, não era como se fossem um milagre inédito; em várias cidades ainda havia muitas famílias assim.
Ao se lembrar do segundo teste de paternidade, Marcos percebeu que até hoje não sabia qual tinha sido o resultado.
Só se lembrava do dia em que ouviu Alípio quebrando coisas dentro da sala...
Se ele tivesse respondido “sim, parecem”, não saberia como continuar aquela conversa.
Se respondesse “não, não parecem”, também entraria em contradição, porque tinha ouvido claramente a conversa entre avô e neto poucos minutos antes, e ambos achavam que sim.
Percebendo a esperteza de Marcos, Alípio preferiu não insistir no assunto.
Deu a ordem diretamente:
— Vá organizar o jantar de hoje à noite. Algo adequado para crianças.
Tudo seguia em perfeita ordem.
Naquele fim de semana, Givaldo levou pessoalmente as crianças ao jantar oferecido por Diogo.
Segundo ele, o Sr. Diogo apenas brincou e se divertiu com elas, sem fazer perguntas sobre a família.
Isso tranquilizou Ema. Parecia que o avô apenas gostava de crianças e queria conviver um pouco com elas.
Agora, Ema também não queria pensar demais nisso. Apenas deixou o assunto de lado e voltou a se concentrar no trabalho.
Quando já tinha terminado a maior parte das tarefas, recebeu um e-mail.
O remetente era Peter, a pessoa que ela havia contratado para investigar Brenda.
No dia seguinte à visita à mãe de Samuel no hospital, Ema tinha entrado em contato com Peter, enviando-lhe as informações que anotara, além da placa do carro.
Sem perder tempo, largou o que estava fazendo e abriu o e-mail.
Havia um arquivo compactado em anexo. Ela o salvou na área de trabalho, criptografou e depois descompactou.
Duas pastas surgiram diante dela: uma com documentos em Word, outra com fotos.
Ema mal conseguiu esperar. Moveu o mouse depressa e clicou nas imagens.

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