Mas agora…
Assim que chegou ao portão da mansão da família Pereira, Cristiano viu o carro de Isabela saindo.
Na mesma hora, a raiva voltou a ferver dentro dele.
Pegou o celular e ligou para Renato.
A chamada já estava quase caindo na caixa postal quando finalmente foi atendida.
— Cris.
— Vem me buscar.
Cristiano estava por um fio.
Sair dali a pé já era um tormento. Mesmo andando rápido, levava uns quarenta minutos. Num passo normal, passava fácil de uma hora.
Ou seja, a manhã inteira ia embora só no trajeto.
Que tipo de desgraçado tinha sugerido àquela mulher insuportável uma forma tão perversa de atormentar os outros? Era um método infantil, mesquinho até, mas eficiente demais para enlouquecer a família Pereira.
Do outro lado da linha, Renato ficou em silêncio por um instante. Depois perguntou, ainda sem acreditar:
— Ué? A Belinha queimou o seu carro também?
Cristiano travou.
Que inferno.
— Meu carro não consegue mais entrar na mansão da família Pereira.
Dessa vez, foi Renato quem ficou sem resposta.
Ele entendeu.
Os métodos de Isabela para torturar todo mundo pareciam pequenos, quase banais. À primeira vista, nem soavam tão cruéis assim.
Mas era justamente isso que tornava tudo ainda mais sufocante.
Se alguém da família Pereira precisasse sair e voltar várias vezes no mesmo dia, não acabaria esgotado?
Desse jeito, as pernas de qualquer um iam ceder de tanto andar.
Por fim, Renato soltou um suspiro.
— Tá bom. Me espera aí.
Afinal, eram muitos anos de amizade.
Mesmo que, nos últimos dias, o clima entre eles tivesse azedado em vários momentos e as conversas nem sempre terminassem bem, Renato ainda não conseguia negar ajuda a Cristiano.
Depois de desligar, Cristiano começou a caminhar para fora da propriedade.
Renato não devia demorar. Em no máximo vinte minutos, já estaria ali.
Só que, pouco mais de dez minutos depois, o telefone tocou de novo.
Era Renato.
— Cris, eu também não consigo entrar.
Cristiano ficou mudo.
Do outro lado, Renato ainda parecia sem acreditar no que estava dizendo.
— A Belinha passou dos limites. Agora nem o meu carro ela deixa entrar.
Até a voz dele carregava incredulidade.
Na mensagem, Isabela ainda tinha dito que eles poderiam continuar amigos para sempre…
E agora, de uma hora para outra, tinha fechado o caminho até para ele?
Essa mulher…
Sabia exatamente como enlouquecer alguém.
Cristiano respirou fundo e disse, com firmeza:
— Eu quero o divórcio.
Dessa vez, as palavras saíram decididas.
Muito mais firmes do que antes, quando era Isabela quem insistia nisso.
Ela respondeu sem hesitar:
— Não.
Cristiano travou.
Droga.
Essa mulher tinha enlouquecido de vez.
— Então me diz uma coisa: até quando isso vai continuar? Até quando você pretende me atormentar desse jeito?
Isabela respondeu de forma simples:
— Não sei.
Cristiano ficou em silêncio.
Não sabia?
Se nem ela sabia…
Então aquilo não tinha prazo para acabar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...