Durante o café, Sérgio lançou um olhar ao rosto de Isabela e deixou escapar um sorriso satisfeito no canto da boca.
— Pelo visto, esses últimos dias te fizeram bem. Até a cor do seu rosto melhorou.
Isabela se recostou na cadeira, tranquila.
— Os suplementos que você pediu para a Karine trazer… Mandei preparar tudo direitinho e tomei sem falhar.
Não era porque a família Pereira estava afundada no caos que ela se deixaria definhar junto.
Muito pelo contrário.
Enquanto eles mal conseguiam engolir alguma coisa, ela se alimentava muito bem.
Afinal, quem preparava tudo era gente dela.
Ela comia sem a menor preocupação.
Ao ouvir que ela tinha tomado todos os suplementos que ele mandara, o sorriso de Sérgio se aprofundou.
Então, tirou um envelope e o empurrou na direção dela.
Isabela lançou um olhar desconfiado.
— O que é isso?
— Todas as provas.
A voz dele saiu calma, mas firme.
— Se você já se divertiu o bastante, pode mandar Bruna para a cadeia. Isso aqui é suficiente para mantê-la lá pelo resto da vida… Ou até...
Fez uma breve pausa.
— Pena de morte.
Isabela arregalou levemente os olhos.
— Tudo isso?
A surpresa foi genuína.
Como Wallace trabalhava para Yari, ela não tinha coragem de deixá-lo investigar a morte da própria mãe.
Por isso, tinha pedido ajuda a Sérgio.
Sérgio a encarou, e o olhar dele escureceu.
— Sua mãe foi só uma das vítimas.
Isabela ficou em silêncio.
Ao ouvir aquilo, uma onda contida de raiva atravessou seu peito.
Na cabeça dela, surgiu a imagem de Bruna de antes, aquela Bruna que, na frente de Lílian, sempre se mostrava gentil, quase afetuosa.
Mesmo nunca tendo sido boa com ela…
Até então, Isabela sempre acreditara que aquilo não passava de desprezo pela sua origem.
Porque, diante de pessoas do mesmo círculo social, Bruna sabia sorrir com delicadeza, com um ar quase maternal. Por isso, Isabela sempre tinha imaginado que, no fundo, ela talvez não fosse realmente má.
Mas, desde que descobrira que a morte da mãe tinha relação com Bruna, todas as certezas que tinha sobre ela vieram abaixo.
E agora, no instante em que ouviu Sérgio dizer que sua mãe tinha sido apenas uma entre várias vítimas…
Isabela finalmente percebeu, com clareza, o quanto Bruna era cruel.
Ela abriu o envelope.
Lá dentro, havia uma pilha de provas ligadas a Bruna.
Enquanto passava os olhos pelos documentos, Sérgio ergueu a xícara de café e comentou, em tom casual:
— O último arquivo é da Taís.
— Sim. Isso também está sendo verificado.
Já que uma brecha tinha sido aberta nesse caso, não importava o quanto a verdade estivesse enterrada.
Desta vez, tudo seria arrancado à força, até o fim.
Isabela baixou os olhos por um instante e disse com sinceridade:
— Obrigada. Por tudo o que você tem feito esse tempo todo.
Agora, os negócios internacionais do Grupo Pereira já tinham sido completamente cortados. E, em Nova Aurora, a situação deles também estava por um fio.
Desta vez, Vanessa também não conseguiria atravessar essa crise ilesa…
Sérgio observou Isabela por alguns segundos antes de dizer, em voz baixa:
— Você pegou leve com ele.
Isabela ficou em silêncio.
Pegou leve?
Se Yari soubesse da morte da mãe dela, a situação não estaria daquele jeito.
Estaria muito pior.
Muito mais extrema.
Todos os envolvidos nisso teriam o mesmo destino.
A morte.
Isabela não respondeu.
Apenas ergueu a xícara de café à sua frente e tomou um gole.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...