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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 428

Cristiano só voltou na manhã do dia seguinte, trazendo Taís com ele. Não dava para saber ao certo que tipo de solução tinha encontrado.

De qualquer forma, a febre dela tinha baixado, e ele ainda trouxe alguns medicamentos.

Quando chegaram, Isabela já estava à mesa, tomando café da manhã.

Bruna lançou um olhar cheio de ódio na direção dela e, sem dizer nada, ajudou Taís a subir as escadas. A noite anterior tinha sido um pesadelo. Naquele momento, só de olhar para Isabela, já sentia repulsa.

Cristiano se aproximou e se sentou à frente dela.

Na mesa, havia apenas uma única porção de café da manhã.

Era assim agora: Isabela fazia o que queria, sem se importar com ninguém e ainda agia com uma frieza quase cruel.

Cristiano olhou para o prato dela, ainda farto, e franziu a testa.

— O médico disse que a Taís precisa de uma alimentação reforçada nesses dias.

— Que médico atendeu ela?

A voz de Isabela saiu fria, afiada.

Aquele tom fez o coração de Cristiano afundar. O olhar dele também escureceu ao encará-la.

Isabela ergueu os olhos e sustentou o olhar.

— Um incompetente.

Cristiano ficou sem reação por um instante.

Mas, ao ouvir aquilo, a raiva subiu de vez.

— Isabela, ela está doente! Você sabe muito bem por que ela ficou assim! Ou você acha que não tem responsabilidade nenhuma nisso?

Depois de tudo o que tinha passado na noite anterior, com o estresse acumulado queimando por dentro, Cristiano perdeu completamente o controle diante da frieza dela.

Isabela apenas lançou um olhar glacial, sem dizer nada.

Cristiano explodiu de vez.

— Ontem ela foi atrás do Sérgio, voltou ferida e, mesmo assim, você ainda mandou ela fazer aquele tipo de serviço. Você está querendo matar a Taís, é isso?

Ele bateu com força na mesa, a voz tomada pela fúria.

— Está faltando dinheiro na família Pereira? Ou empregados nesta casa? Precisa mesmo humilhar ela desse jeito? O que você queria lavar, afinal? Se fosse isso, eu arranjava cem pessoas para fazer isso por você, ouviu?

Cristiano tinha perdido o controle por completo.

Como alguém da família Pereira, quando foi que ele já tinha passado por uma humilhação dessas?

Agora, vendo Isabela usar métodos tão mesquinhos para atormentar todo mundo, o desprezo dele só aumentava.

Isabela finalmente falou, fria como uma lâmina:

— E por que ela foi atrás do Sérgio?

Cristiano travou.

Isabela ergueu levemente o queixo, com o olhar duro.

— Foi contar para ele que eu traí. Que me envolvi com um homem do País Y. Ela saiu daqui querendo me destruir. No fim, quem saiu ferida foi ela. — A voz de Isabela se tornou ainda mais gelada, sem o menor traço de compaixão. — Então como é? Ela sai de casa para me ferrar e, quando volta machucada, eu ainda tenho que tratar com delicadeza?

Deixar uma saída…

Essa frase cabia muito melhor à própria família Pereira.

Se eles soubessem até onde podiam ir, nada disso teria chegado a esse ponto.

Isabela terminou o caldo fortificante, pousou a colher com calma e se levantou.

— E também não precisa levar tão a sério o que aquele médico incompetente disse sobre a Taís. É só uma gripe, nada desse drama de reforçar a alimentação.

Wallace se aproximou e lhe entregou o casaco.

Pelo jeito, ela estava de saída.

Cristiano ficou tão irritado que sentiu as têmporas latejarem. Mas, naquele momento, não havia absolutamente nada que pudesse fazer contra ela.

Quando se virou para subir as escadas, o telefone tocou.

Era Samuel.

Disse que estava esperando lá fora e que Cristiano precisava ir imediatamente para a empresa.

Agora, só de ouvir a palavra empresa, Cristiano já sentia um arrepio desagradável, quase um reflexo.

Desde que assumira o Grupo Pereira, nunca tinha enfrentado uma situação como aquela.

Nunca.

Nunca houve um problema que ele não conseguisse resolver.

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