Cinco minutos depois, Taís já estava no escritório de Sérgio.
De terno impecável, ele exalava uma presença opressiva só de estar ali, sentado à mesa, examinando documentos.
Taís engoliu em seco por instinto.
Parou diante da mesa e, quando ergueu os olhos, deu de cara com aquele olhar profundo e intimidante.
Mesmo tendo crescido na família Pereira e convivido desde cedo com todo tipo de gente, ela ainda se abalou com a frieza sombria nos olhos de Sérgio.
Engoliu em seco de novo.
— Hoje... Eu ouvi a Isabela falando ao telefone. Era com alguém do País Y. Um homem.
Fez uma pequena pausa antes de continuar:
— Ela disse que, quando tudo em Nova Aurora acabar, vai voltar para o País Y. Você sabe o que isso significa.
Sérgio estreitou os olhos.
— Significa o quê?
— Que ela é uma vagabunda. Está te enganando, se aproveitando de você para lidar com a família Pereira. Se joga para qualquer lado. Nunca gostou de você de verdade.
Como Sérgio ainda não parecia convencido, Taís se apressou. A ansiedade só aumentava.
Mas, no instante em que começou a atacar Isabela sem o menor freio, o olhar dele se tornou glacial.
Taís percebeu a mudança.
Só interpretou tudo da maneira errada.
Achou que Sérgio tinha sido profundamente atingido pelo comportamento de Isabela.
Seu coração se encheu de satisfação.
Então continuou:
— Aquela vadia fica te usando de um lado e, do outro, continua enrolada com o amante no País Y. E ainda não se divorcia do meu irmão. Quer levar vantagem em tudo. E mesmo assim você ainda ajuda ela? Ainda protege ela?
Sérgio lançou sobre ela um olhar gelado, de cima a baixo.
Não disse nada.
Ao ver aquele olhar cada vez mais frio, cada vez mais perigoso, o prazer que Taís sentia no fundo do peito só aumentou.
"Está vendo?
Homem nenhum suportava uma mulher incapaz de ser fiel."
Se antes o irmão dela não conseguia largar Isabela, era só porque ainda não conhecia toda a sujeira que ela escondia.
Agora, por causa do envolvimento cada vez maior entre ela e Sérgio, ele já tinha até decidido se divorciar.
E, quanto a Sérgio...
Depois do que ela acabara de contar, seria impossível que continuasse protegendo aquela vadia.
Se não a destruísse ali mesmo, já seria muito.
Observando o rosto do homem, cada vez mais carregado de perigo, Taís insistiu:
— Eu ouvi com estes ouvidos. No telefone, ela disse... Que estava com saudade dele.
Taís nem chegou a entender o que tinha acontecido. Só sentiu o impacto brutal, como se o cérebro inteiro tivesse sido sacudido.
Um líquido espesso, com cheiro forte de sangue, começou a escorrer por sua testa.
Por reflexo, levou a mão ao ferimento. A palma saiu encharcada.
Quando ergueu a mão diante dos olhos, quase desmaiou na mesma hora.
Sangue.
Muito sangue.
Taís olhou para Sérgio, incrédula.
— Vo... Você...
A voz dele saiu gélida, sem o menor traço de emoção:
— A família Pereira ainda é uma das mais importantes de Nova Aurora. Você foi criada como uma moça de boa família. Então como pode ter tão pouca educação?
Taís ficou sem reação.
Sérgio continuou, com o olhar afiado como uma lâmina:
— Foi assim que a senhora Bruna educou vocês?
A respiração de Taís travou.
— Não... Não foi isso... Eu só estava com raiva, com muito ódio. Ódio dela por estar te enganando, por estar fazendo você de idiota.
Taís olhava para Sérgio como se ainda não conseguisse acreditar no que estava vendo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...