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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 363

Karine caiu na risada do outro lado da linha.

— Você precisava ver a cara dele. Estava com um cliente e ficou tão furioso que quase explodiu.

Fez uma pausa e emendou, animada:

— Espera. Vou te mandar o vídeo.

Logo em seguida, a gravação chegou ao celular de Isabela.

Ela abriu, assistiu em silêncio e, quando terminou, o humor já tinha melhorado bastante.

Karine não se aguentou:

— E aí? Viu?

— Vi.

Antes, quem era Cristiano em Nova Aurora?

Bastava aparecer para todo mundo baixar a cabeça, tratar o homem por senhor Cristiano, cercá-lo de respeito.

Agora, esse mesmo respeito tinha virado porta fechada na cara.

Só de imaginar a humilhação, já dava para saber o estado em que ele devia estar.

Karine, curiosa, foi direto ao ponto:

— E agora? Aposto que ele está louco para se divorciar, não está?

Um homem que sempre viveu no alto, acostumado a ter tudo sob controle, estava sendo empurrado para o ridículo por causa de Isabela.

Antes, ele tinha feito de tudo para segurar o divórcio.

Agora, Karine não tinha dúvida: Cristiano devia estar desesperado para assinar os papéis o quanto antes.

Isabela soltou uma risada curta.

— Está, sim. Hoje cedo já fez escândalo por causa disso.

— Então não cede. Deixa ele se consumir sozinho.

Não foi exatamente isso que ele fez quando você quis se divorciar?

Na época, pouco importava o que Isabela sentia. Cristiano só sabia dizer não.

Pois bem. Já que ele tinha insistido tanto em manter aquele casamento, agora que aguentasse as consequências.

Sem rodeios, Isabela disse:

— Quinze dias.

Karine quase se engasgou.

— Quinze dias? Isso é pouco demais.

Se tudo acabasse em quinze dias, então o que a família Pereira estava passando mal chegaria a ser castigo.

Mas Isabela continuou calma:

— Quinze dias bastam.

Era só meio mês.

Só que, dentro daqueles quinze dias, a dor seria esticada ao limite. Cada hora pareceria uma eternidade.

Quando desligou, ela se virou para Wallace.

— Hoje cedo eles fizeram questão de desprezar a comida. Quando voltarem, não vai mais ser tão simples quanto se sentar à mesa e comer.

Wallace entendeu na mesma hora.

— Pode deixar.

Isabela ergueu os olhos para ele.

— Demita todo mundo da família Pereira.

Todo mundo.

Os empregados que tinham vindo com Isabela estavam ali para servir a ela, mais ninguém. Cuidariam das refeições dela, das necessidades dela, e nada além disso.

O resto da mansão podia afundar sozinho.

Wallace sabia muito bem o que aquilo significava.

O rosto fechado, os olhos carregados, a expressão de quem já não suportava mais.

Bruna tremia de ódio.

— Isso ainda vai me enlouquecer.

O plano era simples: passar uns dias fora, comer fora e esperar a tempestade passar.

Mas, com tudo fechado para elas, só restava voltar.

Foi então que Lílian falou, de repente:

— A gente não pode ir para outro lugar?

Bruna virou o rosto, sem entender.

— Como assim?

Lílian apertou os lábios antes de responder:

— Sair de Nova Aurora.

Bruna explodiu.

— Ir embora por causa dela? Está maluca?

Quem tinha que sumir da cidade era Isabela, não elas.

Os Pereira estavam em Nova Aurora havia gerações. Se agora acabassem expulsas dali por causa de uma mulher como Isabela, virariam piada.

A voz de Lílian saiu cada vez mais trêmula:

— Eu não aguento mais. Se você não der um jeito de tirar aquela mulher de lá, eu não volto para aquela casa.

Só de pensar na mansão, ela já sentia o emocional desabar de novo.

Lílian tinha chegado ao limite.

Não suportava mais olhar para Isabela, ouvir a voz dela, dividir o mesmo espaço com ela.

Se aquilo continuasse, enlouqueceria de vez.

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