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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 362

Não era exatamente assim que Bruna sempre agia?

Toda vez que Cristiano levava Isabela de volta para a mansão dos Pereira, Bruna dava um jeito de empurrar para ela as sobras da refeição.

Só que, naquela época, Isabela não abaixava a cabeça.

Em vez de engolir a afronta em silêncio, colocava o prato bem na frente de Cristiano.

E, no instante em que percebia que não seria fácil humilhá-la, Bruna corria para mandar tirar tudo dali, assumindo na mesma hora o papel de sogra gentil e irrepreensível.

Mas Isabela não era assim.

Na frente de Cristiano ou longe dele, ela nunca fez questão de fingir decência.

Bruna e Taís olharam para a comida com nojo.

Não tinham vontade nenhuma de tocar naquilo.

Só que a fome já pesava tanto que as duas mal se aguentavam de pé.

Mesmo assim, nenhuma cedeu.

Subiram, trocaram de roupa e decidiram sair. Antes, ainda convenceram Lílian a ir com elas.

Levaram só o básico.

Assim que a porta se fechou, Wallace se aproximou de Isabela e falou em voz baixa:

— Elas devem tentar se instalar em outro lugar.

Isabela lançou um olhar para ele.

— Já cuidou disso?

— Já.

Wallace assentiu.

Hotéis, restaurantes, todo o circuito do lado de fora já havia sido acertado por ele.

Elas poderiam sair da mansão.

Mas não conseguiriam comer em paz nem se hospedar em lugar nenhum.

Isabela sorriu, satisfeita.

— Se não querem comer o que têm aqui, vão ter que aprender. Porque, por um bom tempo, é só isso que elas vão ter.

Ela não pretendia deixá-las morrer de fome.

Mas também não ia permitir que vivessem confortavelmente.

Esse era o pior tipo de castigo: longo, consciente, sentido aos poucos, sem descanso.

Wallace abaixou a cabeça.

— Entendido.

Foi nesse momento que Yari ligou.

— A parte dos negócios de Cristiano no exterior está praticamente resolvida.

Tudo o que precisava ser encoberto já tinha sido apagado.

Dava para imaginar o tamanho do rombo que o Grupo Pereira vinha sofrendo.

Quanto ao prejuízo, nem valia a pena colocar em palavras.

A essa altura, Luciano provavelmente já estava sabendo de tudo.

Isabela respondeu com um som baixo, quase distraído:

— Certo. Já entendi.

Do outro lado da linha, Yari insistiu:

— Encerra isso logo. Eu não sei por que você decidiu não se divorciar e ainda continuar torturando essa gente desse jeito, mas não vale a pena se desgastar com Cristiano por muito tempo.

— Eu sei.

Muito tempo?

Não.

Não demoraria tanto assim.

Na verdade, o sofrimento de Cristiano mal tinha começado.

Meu Deus.

Até onde Isabela tinha levado aquilo?

Existia mesmo, em Nova Aurora, um restaurante capaz de barrar Cristiano Pereira?

Samuel, que vinha logo atrás, também ficou em choque.

— Vocês enlouqueceram?

Quando caiu em si, avançou na mesma hora e começou a pressionar o garçom.

— Senhor, me desculpe...

O atendente pedia desculpas, mas continuava firme na posição.

Naquele momento, Cristiano já não estava apenas com raiva.

Havia algo muito mais sombrio se adensando ao redor dele.

Isabela tinha acabado de almoçar quando Karine ligou.

— Isabela, você foi longe demais. Seu irmão é bom mesmo.

— O que houve?

Karine despejou a notícia de uma vez:

— Eu vi o Cristiano ser barrado na porta do restaurante. Não deixaram ele entrar.

Isabela respondeu apenas com um murmúrio:

— Uhum.

Aquilo já fazia parte do plano desde o começo.

Enquanto eles ainda conseguissem sair, jantar fora, respirar um pouco e manter a ilusão de normalidade, então ainda haveria espaço para algum alívio.

Mas, no momento em que nem isso fosse mais possível... Aí, sim, estariam encurralados de verdade.

Sem saída.

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