Quando Isabela disse "regras", a palavra saiu cortante, afiada como uma faca.
Bruna sentiu o sangue ferver.
— Esqueceu, foi? Quando eu cheguei à casa dos Pereira, não era você quem vivia dizendo que uma família como a sua tinha regras? Que aquilo ali não era orfanato?
Bruna ficou sem fala.
Cristiano fechou a cara de vez.
Deu mais uma tragada no cigarro e soltou, num tom gelado:
— Fala logo. O que você quer?
Naquele momento, ele já não tinha a menor disposição para continuar discutindo com Isabela.
Quando abriu a porta e deu de cara com Bruna e Taís na fora, de camisola, entendeu na hora que aquele casamento já tinha perdido o sentido.
Isabela soltou uma risadinha pelo nariz.
— O que eu quero? Desde quando eu tenho esse direito na família Pereira? E, mesmo que tivesse, o que você acha que eu teria coragem de pedir?
Cristiano não respondeu.
Bruna, porém, explodiu:
— Coragem? O que é que você não teve coragem de fazer até agora? Desde ontem, tudo o que você aprontou foi pra arrancar mais alguma coisa. Isabela, você conseguiu. Você venceu. — Na frase seguinte, a voz dela já saiu quase aos gritos. — Seja lá o que você quer agora, a gente dá. E nem assim isso basta pra você?
Isabela ergueu o queixo, impassível.
— Sinto muito. Mas, desta vez, eu não quero ganhar nada.
Bruna e Taís ficaram mudas.
Aquelas palavras caíram como gasolina no fogo. As duas quase perderam o controle.
— Eu não quero nada da família Pereira. — Continuou Isabela. — Então parem de me tratar como se eu estivesse atrás do dinheiro de vocês ou de qualquer outra coisa.
Não era isso que elas sempre diziam?
Que ela devia estar de olho em alguma vantagem?
Só que, dessa vez, era verdade: Isabela não queria nada.
E era justamente isso que elas precisavam entender. Porque, quando alguém já não quer mais nada, é aí que a coisa fica perigosa.
Bruna arregalou os olhos.
— Você fala como se fosse uma santa. Como é que eu vou acreditar que você não quer dinheiro?
— Porque eu não quero. Não quero nada.
Foi essa frase que acertou Bruna em cheio.
Antes, tudo o que ela queria era humilhar Isabela e expulsá-la dali sem lhe dar um centavo.
Agora, queria exatamente o contrário: que Isabela aceitasse logo o dinheiro e desaparecesse.
— Você... Você...
No fim, Cristiano foi embora mesmo.
Quando restaram apenas Bruna, Taís e Isabela na sala, Bruna lançou um olhar carregado de ódio.
Isabela nem piscou.
— O que foi? As madames da família Pereira ainda não tomaram café da manhã. Anda, põe a mesa.
Ao ouvir que finalmente iam comer alguma coisa, Bruna e Taís deveriam ter ficado aliviadas.
Mas, como a ordem tinha vindo de Isabela, as duas sentiram um aperto ruim no peito.
E, como já era de se esperar, no instante em que o café foi servido, o humor delas despencou de vez.
Era sobra da noite anterior, toda requentada, mexida e amontoada no prato, num estado em que mal dava para saber o que era cada coisa.
Só de olhar, o apetite sumia.
Bruna começou a tremer de raiva.
— Você enlouqueceu? Que porcaria é essa que está servindo pra gente?
Isabela respondeu sem pressa, fria como sempre:
— Vocês são difíceis de agradar. Se eu não sirvo nada, reclamam que eu não sei agir como nora. Se eu sirvo, reclamam da comida.
Ela soltou um olhar indiferente para a mesa.
— Já deviam agradecer por terem alguma coisa pra comer. Mas não. Ainda querem escolher.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...