Isabela já tinha deixado uma coisa bem clara: só virar a mesa não bastava.
Por isso, Wallace pegou uma cadeira e, bem diante de Bruna e Cristiano, começou a destruir a mesa de jantar sem a menor hesitação.
O som das cadeiradas contra a mesa soava como uma maldição.
E ia se cravando, golpe após golpe, no peito de todos os que estavam ali.
Bruna chegou a sentir como se aquelas pancadas estivessem atingindo o próprio corpo.
— Dentro da minha casa, o que vocês pensam que estão fazendo?
Ela insistia, uma vez após a outra, em corrigir aquilo.
Aquela era a casa dela.
Só que ninguém se importava.
Ninguém levou suas palavras a sério.
Ninguém sequer se deu ao trabalho de responder.
Quando Wallace terminou, a mesa estava completamente destruída.
A sala de jantar inteira tinha se transformado num cenário de caos.
Com um sorriso nos lábios, Isabela olhou para Cristiano.
— E agora? Está satisfeito?
Cristiano ficou mudo.
— Você... Você... Você... — Bruna tremia de raiva.
Isabela lançou um olhar frio para ela.
— Vai me xingar?
Então sua voz ficou ainda mais sombria.
— Porque, se xingar desta vez, não vai ficar só num tapa.
No instante em que disse isso, seus olhos se endureceram como lâminas.
— Desta vez, eu mando arrancarem a sua boca.
Bruna congelou.
Estava prestes a explodir em ofensas, mas, diante da crueldade brutal de Isabela, engoliu tudo de volta, palavra por palavra.
Então se virou para Cristiano.
— Você... Você viu, não viu? Ela teve coragem de fazer isso comigo bem na sua frente. E, ainda assim, você quer deixar essa mulher aqui? Me diz: que sentido esse casamento de merda ainda tem?
As últimas palavras saíram praticamente aos berros.
Ela já não aguentava nem mais um minuto.
Cristiano olhou para Isabela. Tremendo de raiva, com as mãos cerradas em punhos, soltou, entre os dentes, palavra por palavra:
— Vou mandar prepararem o acordo de divórcio. Mas, se você acha isso lento demais, a gente pode ir ao cartório agora mesmo.
Isabela ergueu os olhos para ele.
— Você esqueceu de uma coisa, não foi?
Cristiano, Bruna e Taís se calaram na mesma hora.
Ao ouvir aquilo, os três olharam para ela ao mesmo tempo.
Principalmente Taís. A tensão surgiu de imediato no fundo dos olhos dela.
Ela também queria que Isabela desaparecesse dali o quanto antes.
Porque, enquanto aquela mulher continuasse naquela casa, ninguém teria um dia de paz.
Quanto antes fosse embora, mais cedo a paz voltaria.
Ao ver o desespero quase escancarado das duas, Isabela soltou uma risadinha debochada.
— Olhem só no que vocês transformaram isso.
Ela apoiou o rosto na mão, preguiçosamente, e continuou:
— Eu só queria ser uma boa nora da família Pereira. Por que vocês insistem tanto em falar em divórcio?
Bruna quase explodiu de novo.
— Boa nora? Quer mesmo que eu relembre tudo o que você fez desde ontem até agora?
Só aquilo, por si só, já bastava para provar que "boa nora" era a última coisa que ela poderia ser.
Isabela ergueu os olhos, tranquila.
— E o que foi que eu fiz?
Bruna apontou para ela, furiosa.
— Logo cedo, você me deixou trancada do lado de fora. E ainda pergunta o que fez?
— E comigo também.
Taís entrou no meio, sem conseguir se conter.
Agora ela já tinha ido buscar um cobertor para se enrolar, e o corpo finalmente estava mais aquecido.
Mas, sempre que se lembrava da fome e do frio que tinha passado lá fora, sentia vontade de estrangular Isabela com as próprias mãos.
Isabela lançou um olhar indiferente para as duas.
— As regras foram vocês que criaram. Se nem vocês mesmas seguem o que impõem, ainda querem que os outros obedeçam primeiro?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...