Taís ficou sem palavras.
As regras dali?
As regras... Da mansão da família Pereira?
Bruna sentiu como se algo lhe tivesse entalado na garganta, apertando o peito até quase deixá-la sem ar.
Antes mesmo que conseguisse dizer qualquer coisa, a empregada loira de olhos azuis entrou de novo com as outras três.
No segundo seguinte, a porta se fechou com força atrás de Bruna e Taís.
Bruna sentiu a pressão subir na mesma hora. Virou-se bruscamente para Taís.
— Você ouviu isso?
— Ouvi.
Naquele instante, o rosto de Taís também estava lívido de raiva.
Bruna rangeu os dentes.
— Falar de regras para mim... Essa mulher não faz ideia de onde está pisando. Aquela usurpadora tomou o lugar dos outros e agora ainda quer me ensinar como as coisas funcionam aqui.
Furiosa, Bruna se virou e começou a bater na porta.
Mal tinha dado duas pancadas, e a porta se abriu de novo.
A mulher loira a encarou com um olhar sombrio e cruel.
— Ou a senhora prefere ir se acalmar do lado de fora do portão principal?
Naquele momento, elas estavam apenas do lado de fora da casa.
Mas, se fossem jogadas para além do portão, ainda vestidas daquele jeito, bastaria uma manhã para a notícia correr por toda a roda das madames.
— Vocês...
Bruna mal conseguiu completar a frase.
A empregada a interrompeu com a voz fria e pesada:
— Se a senhora levantar a voz mais uma vez, vai esfriar a cabeça do lado de fora do portão.
Como era de se esperar, aquelas palavras tiveram um efeito imediato sobre Bruna. Toda a arrogância e a fúria que ainda lhe restavam murcharam de uma vez.
Era sempre assim.
Não importava o quanto alguém fosse orgulhoso e autoritário; diante de uma pessoa realmente implacável, acabava se dobrando sem nem perceber.
E, naquele momento, Bruna não era exceção.
— Eu... Já me acalmei.
No instante em que pronunciou aquelas palavras, sentiu uma humilhação tão grande que quase não conseguiu suportar.
Mas tudo bem.
Bastava esperar.
Esperar até encontrarem a prova de que aquela mulher tinha matado a criança.
Quando esse dia chegasse, ela faria Isabela sofrer na prisão até implorar pela morte.
Ao contrário de Bruna, ela usava apenas uma camisola de alças. Nunca gostara de dormir com muita roupa.
Bruna, pelo menos, ainda vestia um pijama decente, daqueles de manga comprida.
Já Taís estava com os braços e as pernas completamente descobertos.
Tremia sem parar.
— Liga para o meu irmão. Anda.
— Eu não trouxe o celular. — Rebateu Bruna, sem conseguir conter a irritação.
Como se, se estivesse com o aparelho, já não tivesse ligado.
Ao escutar isso, Taís quase teve o impulso de começar a gritar por Cristiano dali mesmo. Mas, no mesmo instante, lembrou-se da ameaça feita pela mulher loira.
Se ousassem levantar a voz do lado de fora, seriam jogadas para além do portão principal para esfriarem a cabeça.
E, nesse caso, mesmo que gritassem até perder a voz, ninguém lá dentro ouviria.
— Ah, eu vou acabar ficando louca.
Taís bateu o pé no chão, tomada pela raiva.
Que situação absurda era aquela?
Aquela era a casa delas... A casa delas.
Ontem já tinha sido humilhante o bastante ver todas as coisas do quarto serem jogadas para fora.
E agora, para completar, tinham sido expulsas de casa de verdade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...