Lílian, que sempre fora a mais mimada por Bruna, assistiu a tudo do começo ao fim.
Mas, como não correu para ajudar, como Taís tinha feito, acabou não sendo arrastada para aquela confusão.
Assim que voltou para o quarto, pensou em jogar algumas roupas lá de cima para Bruna e Taís.
Só que o corredor inteiro estava tomado pelo pessoal de Isabela.
Além disso, o quarto dela nem dava para aquele lado. O único aposento com a posição certa era justamente o que Isabela estava ocupando agora.
E, claro, ela não podia entrar no quarto de Isabela para jogar coisa nenhuma.
Foi então que o telefone tocou.
Era Vanessa.
No instante em que atendeu, Lílian caiu no choro, tomada pela sensação de injustiça.
— Mãe...
Do outro lado da linha, Vanessa se assustou na mesma hora ao ouvir aquele tom.
— O que foi que aconteceu? Por que você está chorando?
Em seguida, sua voz veio carregada de reprovação.
— Eu já falei: mulher no resguardo não pode chorar de jeito nenhum. Entrou por um ouvido e saiu pelo outro?
Pelo tom de Vanessa, dava para perceber com clareza que ela também estava atolada em problemas naquele momento.
Com a voz embargada, Lílian perguntou:
— Mãe... Quando você volta?
Ao fazer aquela pergunta, sua voz transbordava mágoa e dependência.
Ela estava mesmo chegando ao limite.
Que situação absurda era aquela?
Antes, ao ver Bruna enfrentando Isabela daquele jeito, Lílian ainda tinha achado que ela conseguiria dar conta de tudo.
Mas agora?
Agora, Bruna tinha sido esmagada por Isabela num instante, sem nem ter chance de reagir.
Percebendo que Bruna já não podia mais lhe servir de apoio, Lílian sentiu o chão desaparecer sob os pés.
E foi justamente por isso que passou a querer Vanessa ainda mais por perto.
— Ainda não terminei de resolver o que tenho aqui. Voltar para quê? — Vanessa respondeu, irritada.
Naquele momento, ninguém devia sequer mencionar a possibilidade de ela voltar para Nova Aurora.
Bastava tocar no assunto para Vanessa ferver de raiva.
Ela tinha recebido a promessa de que alguém a ajudaria. Disseram que a situação na fronteira logo seria flexibilizada para ela.
Só que já fazia dias que estava esperando, e até agora não tinha recebido notícia nenhuma.
E, quanto mais aquilo se arrastava, mais Vanessa se desesperava.
Ao ouvir aquele tom autoritário do outro lado da linha, Lílian sentiu o peito apertar ainda mais, como se o ar estivesse faltando.
Ela fungou, querendo dizer mais alguma coisa.
Mas Vanessa já não tinha tempo nem paciência para ouvi-la. Limitou-se a dizer, apressada:
— Por enquanto é isso. Vou desligar. E não se esqueça: resolva logo o assunto do Eduardo.
Assim que terminou de falar, desligou na cara dela.
Lílian fechou os olhos, tomada pela raiva, quase arremessando o celular longe.
Eduardo, Eduardo, Eduardo.
Afinal, o que Eduardo tinha a ver com ela e com João, para Vanessa insistir tanto, a ponto de ligar uma vez atrás da outra só para mandar que ela o salvasse?
Como se, se realmente existisse um jeito de ajudá-lo, ela não fosse tentar.
Vanessa também não parava um segundo sequer para olhar a situação da própria filha.
Será que não enxergava a forma como Cristiano a tratava agora?
Quanto mais percebia o quanto Vanessa se importava com Eduardo, mais Lílian cerrava os dentes de ódio.
Isabela tinha adormecido às nove da noite anterior.
Ainda assim, dormiu profundamente.
E só acordou depois das oito da manhã.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...