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Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar romance Capítulo 355

Ao pensar naquele tio de Sérgio, Bruna sabia muito bem que, para alguém como ele, interferir em todos os hotéis de Nova Aurora não seria grande coisa.

Se Sérgio realmente quisesse, até os rumos da economia da cidade inteira poderiam acabar nas mãos dele.

Bruna ficou tão furiosa que a respiração começou a sair pesada, descompassada.

Ela lançou um olhar para Cristiano, completamente apagado por causa da bebida.

Renato então se apressou em falar:

— Então a gente já vai.

No instante em que Bruna mencionou Sérgio, Renato e Antônio perceberam na hora que não dava mais para ficar ali.

Antes, os dois ainda contavam muito com Sérgio e Cristiano.

Mas agora...

Agora os dois irmãos tinham rompido de vez, e nenhum deles queria se meter nessa briga.

Assim que deixaram Cristiano ali, trataram de sair o mais rápido possível.

De jeito nenhum iam abrir a boca quando Bruna começava a falar de Sérgio.

Renato e Antônio foram embora praticamente em fuga.

Só depois de já terem rodado um bom trecho de carro foi que Renato falou:

— Dessa vez, pelo jeito, a Isabela fez um estrago daqueles.

— Fez mesmo. Você não viu? A tia Bruna estava lá fora, comendo macarrão instantâneo.

A situação tinha chegado ao ponto de ela ser enxotada até na hora de comer. Afinal, que lugar Bruna ainda ocupava dentro da família Pereira?

Renato ficou em silêncio por um instante.

Ao se lembrar da cena de Bruna lá fora, segurando aquele copo de macarrão instantâneo...

— Sabe que, pensando bem, o que a Isabela fez... Foi até meio satisfatório de ver?

Antônio arregalou os olhos.

Aquilo era sério mesmo?

— Se o Cris ouvir você dizendo isso amanhã, vai fechar a cara na mesma hora.

— Estou falando sério. — Respondeu Renato. — Pensa só em como Bruna tratava a Isabela antes. O que a Isabela está fazendo agora é justamente isso... O mundo girando. Do jeito que a tia Bruna humilhou ela, agora está recebendo de volta na mesma moeda.

Esse tipo de reviravolta trazia uma sensação estranha de alívio.

Claro...

Bruna era a mãe de Cristiano. Pensar daquele jeito não era exatamente certo.

Mesmo assim, Antônio acabou concordando com um aceno de cabeça.

— Por isso mesmo, quando você pisa em alguém, tem que ter certeza de que a pessoa nunca mais vai conseguir se levantar.

Porque, no instante em que ela se levanta de novo, o jogo vira.

Em seguida, Antônio acrescentou:

— E, pelo que estou vendo, a Isabela realmente odeia a família Pereira.

— Isso nem se discute. Claro que odeia. — Respondeu Renato.

Pelo que ele conhecia de Isabela, ela não tinha nenhum problema de caráter.

Antes, diante das provocações insuportáveis de Bruna, no máximo aguentava tudo em silêncio.

Antônio ficou calado.

Acabar com a família Pereira inteira...

Aquilo realmente já estava além do que qualquer um pudesse resolver. Quando gente grande entrava em guerra, quem tentava apartar a briga nem sabia por onde começar.

Depois de um instante, Antônio voltou a falar:

— E você... Não vai procurar o Sérgio para conversar? Afinal, são amigos há tantos anos. Ele não devia deixar as coisas chegarem a esse ponto.

Antônio ainda acreditava que Isabela só conseguia sustentar tudo aquilo porque tinha Sérgio por trás.

No caso de Cristiano, ele realmente achava que Sérgio não deveria ser tão implacável só por causa dela.

Renato ergueu uma sobrancelha.

— Conversar o quê?

Ele não pretendia dizer nada.

A essa altura, já tinha entendido tudo muito bem.

O conflito entre Cristiano e Isabela já tinha chegado a um ponto em que ninguém de fora podia interferir. Não adiantava procurar ninguém, muito menos tentar dizer qualquer coisa.

E, além do mais...

No fim das contas, aquilo não dizia respeito a ele.

Então o que havia para dizer?

Nada.

Não existia uma única palavra capaz de mudar alguma coisa.

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