Mas quem imaginaria?
As pessoas que Isabela tinha trazido trabalhavam em turnos. Até de madrugada havia gente de guarda na porta da cozinha.
A raiva de Bruna subiu na mesma hora.
— Estou na minha própria casa. Agora nem uma coisa para comer eu posso pegar?
Ela descarregou a irritação em cima das empregadas que vigiavam a entrada da cozinha.
Uma delas, loura e de olhos claros, lançou-lhe um olhar cortante.
— Desculpe, mas a nossa patroa tem o sono muito leve. O barulho de alguém comendo pode acabar acordando ela.
Bruna ficou sem fala.
Isabela tinha sono leve?
Aquilo era ridículo demais.
Sono leve, uma ova. Naquela casa inteira, quem dormia melhor do que todo mundo agora era justamente Isabela.
Bruna cerrou os dentes.
— E se eu estiver com fome? O que eu faço?
Antes, ela nunca teve o hábito de comer de madrugada. Mas, depois de um dia daqueles, estava mesmo à beira de perder a cabeça.
A empregada loura se virou, entrou na cozinha e voltou logo em seguida com um copo de macarrão instantâneo na mão.
No instante em que viu aquilo, Bruna arregalou os olhos.
— O que é isso?
Ela não comia esse tipo de coisa.
— Pode comer lá fora.
Bruna ficou muda.
Ao ouvir aquilo da boca de uma empregada, quase desmaiou de raiva.
Já era humilhante o bastante receber um copo de macarrão instantâneo. Mas ainda mandarem que ela fosse comer do lado de fora? Do lado de fora onde?
Queriam que ela se sentasse no quintal para comer?
— Comer faz tanto barulho assim?
A empregada respondeu, fria:
— Se a senhora continuar insistindo aqui, vamos ser obrigadas a levá-la para fora para continuar essa conversa.
A ameaça estava mais do que clara.
Se Bruna continuasse armando escândalo ali, elas realmente temiam acabar acordando Isabela.
Bruna nunca tinha passado por uma humilhação daquelas.
Antes, quem ousaria tratá-la daquele jeito?
E agora...
Na própria casa, ela estava sendo tolhida de todos os lados. No fim, queriam expulsá-la até da cozinha.
Mesmo assim, Bruna não quis voltar para buscar alguma roupa.
Só queria dar duas garfadas naquilo e entrar correndo de novo.
Mas mal tinha dado a primeira mordida...
Renato e Antônio chegaram trazendo Cristiano de volta.
Ao ver os dois, Bruna sentiu o rosto queimar de vergonha. Naquele instante, teve a sensação de que não tinha mais onde enfiar a cara.
Antônio e Renato também pararam no mesmo lugar, olhando para a cena em completo choque.
Eles simplesmente não conseguiam acreditar no que estavam vendo.
— Sra. Bruna, a senhora... — Renato foi o primeiro a falar, atônito.
Bruna soltou duas risadinhas secas, largou depressa o copo de macarrão instantâneo e se levantou.
— Vocês... O que aconteceu? O que estão fazendo aqui?
Até a voz dela saiu estranha, forçada.
Alguém do status dela, com nome e posição, como poderia aceitar que os mais novos a vissem numa situação tão miserável?
Naquele instante, Bruna xingou Isabela com todo o ódio que carregava no peito.
A culpa de tudo aquilo era dela.
Ficava criando aquele inferno sem que ninguém soubesse até onde queria chegar.
E, no fim, quem acabava pagando esse vexame era ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Abortos Repetidos e Nenhuma Piedade: Os Culpados Vão Pagar
Tinha que ter como comprar o livro completo, pois como não está finalizado ainda não dá para saber por quanto ele vai sair no final......
Como Isabela não fez o teste de paternidade ainda?...
Livro excelente,mas demora muito para atualizar...
Posta mais capitulos...