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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 4

— Ah, Clarice! Eu só pedi para você não ir embora. Por que precisava me agredir? Se bater em mim te faz sentir melhor, então continue!

A voz esganiçada e teatral perfurou os tímpanos de Clarice.-

Clarice cerrou as sobrancelhas. A mesma mulher que há dois segundos estava rosnando de pé, agora jogara-se ao chão, implorando pateticamente abraçada aos joelhos dela.

Instintivamente, ela tentou puxar as pernas, quando um urro enfurecido foi seguido por um empurrão brutal. Ela foi arremessada contra o chão duro.

Sua cabeça chocou-se contra a beirada da cama, a dor atordoando seus sentidos.

Tudo o que se seguiu foi um baque oco. O precioso bracelete de jade estilhaçou-se em cinco pedaços no piso.

— Meu bracelete!

Ignorando a dor que lhe rasgava as costas, Clarice engatinhou apressadamente pelo chão para recolher os fragmentos.

Suas mãos tremiam violentamente.

— Melissa! Você está bem? Deixe-me ver, onde está doendo?

Orlando ergueu Melissa num rompante e a deitou na cama, inspecionando cada milímetro do corpo dela com ansiedade.

— Orlando, não foi nada...

Apesar das palavras brandas, a mulher cuidou de exibir o arranhão avermelhado no pulso.

— Como não foi nada? O seu pulso está sangrando. Clarice! Desça agora e traga a caixa de primeiros socorros!

Ordenou Orlando, impiedoso.

— É sério, estou bem. A Clarice me acusou de roubar a joia dela, não quis escutar as minhas justificativas, e me bateu num ataque de raiva.

— Ela te agrediu também?!

Foi nesse instante que Orlando percebeu a marca avermelhada de cinco dedos desenhada na pele impecável de Melissa.

Seus olhos transbordaram com uma aflição desmedida por ela, alimentando um ódio crescente por Clarice.

Quando ele voltou a atenção para a esposa, lá estava Clarice, catando os cacos no chão.

A raiva que lhe subia à cabeça inflamou-se ainda mais.

— Clarice, você não ouviu que...

— Cale a boca.

Clarice levantou os olhos avermelhados, fuzilando ambos com um olhar puramente selvagem e predatório.

Se estivesse segurando uma lâmina, não hesitaria em retalhar a garganta de cada um ali mesmo.

O som ardido rasgou o silêncio do ambiente.

— Você está certíssimo. Mesmo que eu vendesse a alma apodrecida de vocês dois, ainda não seria o suficiente para pagar.

Orlando ficou petrificado, atordoado pelo baque da agressão. Melissa soltou um guincho assustado.

— Orlando! Meu Deus, amor, machucou muito?

Despertando da letargia humilhante, Orlando ferveu. Como Clarice ousara tocar na sua face? No ímpeto de retribuir, ele se levantou com fúria.

Antes que ele erguesse o braço, uma pasta de papelão foi esmagada contra seu peito.

— Assine os papéis do divórcio. A partir de hoje, fingimos que nunca nos conhecemos.

Sem dar espaço, Clarice arrancou a aliança matrimonial do dedo anelar e atirou-a violentamente contra ele.

Puxou a alça da mala de rodinhas e sumiu do aposento sem um único olhar para trás.

Clarice saiu dali com uma frieza amarga. Sem apego, sem olhar para trás. Já que estava indo embora, não aceitaria mais nenhuma migalha.

Contudo, o embate caótico sugara suas horas, e a lua noturna já governava o céu. Parada na beirada de uma rua de asfalto cru, fitando os pedaços quebrados do bracelete na palma da mão, Clarice sentiu-se flutuando no abismo.

E as lágrimas insistentes, derrotando toda e qualquer barragem, fluíram finalmente em desespero.

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