Erasmo voltou a se sentar.
— Já que acordou, vá tomar um banho primeiro para não pegar um resfriado. Falaremos sobre o resto depois. — disse Erasmo.
Erasmo acenou com a mão, e os criados se retiraram respeitosamente.
Vendo que Clarice continuava parada, apenas o encarando com expressão atônita, Erasmo arqueou levemente os lábios.
— Não quer se mexer? Precisa que eu a carregue até lá? — Os cantos dos lábios de Erasmo se ergueram.
Aquela voz suave e agradável era bem conhecida por Clarice; era uma pessoa de carne e osso, não uma alucinação. Erasmo realmente havia voltado.
Ela saiu rapidamente da cama e foi para o banheiro.
Meia hora depois, Clarice saiu a passos lentos.
Erasmo já havia tomado banho e vestia roupas confortáveis de casa, com o colarinho ligeiramente aberto, revelando as clavículas e o pomo de Adão. Com um sorriso, ele a chamou:
— Venha cá.
Clarice se aproximou obedientemente e sentou-se. Erasmo pegou a mão dela e a desinfetou com todo o cuidado.
Todo o processo foi tão suave e meticuloso, como se ele temesse machucá-la.
Clarice ficou apenas observando Erasmo de forma boba; ele continuava exatamente como ela se lembrava.
Fazia cinco anos. Ela pensou que ele estaria com raiva de sua teimosia e nunca mais falaria com ela.
Ele sequer aparecera no casamento dela, e agora se reencontravam justamente quando ela estava em um estado tão lamentável.
— Erasmo, como você apareceu lá de repente?
A presença de Erasmo ali definitivamente não havia sido um acidente; parecia que ele a estava esperando de propósito.
Erasmo terminou de desinfetar o machucado, colocou um curativo delicado e ergueu seus belos olhos amendoados para encará-la.
— Adelina disse que você estava prestes a se divorciar, então é claro que eu tinha que voltar para ver isso com meus próprios olhos.
— E pensar que eu realmente vivi para ver isso.
Clarice mordeu o lábio inferior. Sim, na época todos foram contra, mas ela havia insistido naquilo sozinha.
A oposição de Erasmo havia sido a mais forte; ela ainda se lembrava da enorme explosão de raiva que ele teve naquele dia.
Ele a havia encurralado contra a parede, com os olhos vermelhos de fúria.
Aquela também fora a vez em que Erasmo usou as palavras mais duras contra ela.
Quando, no longo corredor do hospital, Clarice se apoiava na parede, caminhando com dificuldade e completamente sozinha.
Uma aura fria e assassina, típica de alguém com muito poder, irrompeu do corpo de Erasmo em um instante.
— Luan.
A voz grave, rouca e cheia de uma crueldade reprimida rosnou de dentro de seu peito.
Luan estremeceu, colocando-se em alerta máximo; aquele era o prenúncio de que sangue seria derramado.
No entanto, depois de esperar por um longo tempo sem ouvir qualquer instrução do Sr. Alves, ele não pôde deixar de erguer o olhar.
Os olhos frios de Erasmo já estavam fechados e seus lábios finos estavam pressionados em uma linha reta, com uma expressão aparentemente calma.
Mas as veias azuladas latejando nas costas de suas mãos evidenciavam o quanto o homem estava se controlando naquele momento.
— Sr. Alves?
— Precisa que eu envie alguém para dar uma lição neles? — Luan chamou suavemente.
— Deixe para lá. Se ela souber que eu toquei no Orlando, vai acabar brigando comigo de novo. — Os olhos frios se abriram e, no fim, tudo se transformou em um suspiro.

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