— A Sra. Adriel disse que chega em um instante.
Ao ouvir isso, a expressão de Orlando suavizou um pouco.
Como esperado, bastou impedi-la de ir à empresa para que ela não conseguisse mais se segurar.
Lá no começo, o único motivo de ela ter implorado tão descaradamente para trabalhar na empresa não era justamente para ter mais tempo ao lado dele?
Ela adorava correr para a sala da presidência sem motivo algum, mas, para manter a sua imagem de bom marido, ele havia tolerado a contragosto esse comportamento.
— Pode voltar ao trabalho. Quando ela chegar, mande-a vir me ver. — Ele acenou com a mão.
Sem sequer ousar respirar fundo, Evelise assentiu apressadamente e saiu de fininho.
Clarice chegou rapidamente e foi primeiro para a sua própria sala.
— Sra. Adriel, o Sr. Carneiro pediu que a senhora fosse ao escritório dele assim que chegasse. — Evelise correu até ela assim que a viu.
— Vocês brigaram? — perguntou em seguida, com certa curiosidade.
Na empresa, os dois sempre foram o casal modelo que todos invejavam.
Uma situação como a daquele dia realmente a havia pegado de surpresa.
— Não é nada, pode voltar ao que estava fazendo! — Clarice forçou um leve sorriso.
Percebendo que Clarice não queria dar detalhes, Evelise teve o bom senso de não perguntar mais.
Voltando à sua mesa, ela redigiu uma carta de demissão e, em seguida, caminhou direto para a sala do presidente.
— Entre. — A voz claramente insatisfeita soou de dentro quando ela bateu à porta.
Clarice empurrou a porta e entrou. Orlando estava reclinado na cadeira giratória, de olhos fechados.
Ele abriu os olhos abruptamente e os estreitou ao ver que era ela.
Um vestido vermelho de corte impecável, acompanhado de uma maquiagem requintada e vibrante, a deixava com um ar absolutamente deslumbrante.
O design acinturado na medida certa destacava a cintura de Clarice, fazendo-a parecer tão fina que caberia em apenas uma mão.
Conhecendo Clarice há cinco anos, ele nunca a tinha visto se arrumar daquele jeito.
Ele sabia que ela era bonita, mas não imaginava que pudesse chegar a esse nível de beleza.
Audaciosa, mas sem perder a elegância.
Orlando olhou para o documento à sua frente com um lampejo de surpresa nos olhos, seguido por uma onda de raiva irracional fervendo em seu peito.
— Você vai se demitir? Está falando sério, Clarice?
— E não é exatamente isso que o Sr. Carneiro desejava? — Clarice riu com escárnio.
Sr. Carneiro? Hmph, muito bem, então agora ela estava até o chamando de Sr. Carneiro.
Ela estava querendo fazer joguinhos de guerra fria com ele?
— Ótimo, ao menos você tem noção do seu lugar. — Orlando bufou friamente.
Ele arrancou o papel da mão dela com força, virou a página e assinou o seu nome.
Em seguida, jogou o documento de volta em Clarice com agressividade.
— A Melissa virá amanhã para fazer a transição, e você tem que deixar todas as suas funções bem repassadas.
Clarice não deu a mínima para a atitude detestável de Orlando. Deixar que uma pessoa que não entendia absolutamente nada assumisse a vice-presidência.
Se Orlando era capaz de ignorar o futuro da empresa dessa forma, ela também ficaria feliz em assistir de camarote a esse desastre. Ela pegou a carta de demissão com um sorriso radiante.

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