Ao notar a estranheza de Lídia, Laís aproximou-se imediatamente para dar uma olhadela.
No ecrã do telemóvel da mãe, viu um homem de cabelos grisalhos e costas um pouco curvadas. Parecia magro e moreno, mas, pelos traços dos olhos e sobrancelhas, ainda se podia ver uns laivos do passado.
E aquele traço sobrepunha-se à pessoa que há muito desvanecera na memória de Laís.
O corpo de Lídia pareceu perder as forças de repente, e o celular escorregou das mãos dela e caiu no chão.
Ao ver aquilo, Laís apanhou o telemóvel à pressa e amparou a mãe, ajudando-a a sentar-se no sofá do quarto.
Olhando para o rosto extremamente complexo de Lídia, Laís já adivinhava a verdade no seu íntimo.
Disse, com a voz embargada:
— Mãe, este homem... não será o Bento Xavier?
No momento em que pronunciou aquele nome, o tom de Laís estava carregado de raiva cerceada.
Apesar de ser o nome do seu pai, lembrar que ele tinha fugido com outra mulher antes da grande tragédia desabar, ele as abandonou completamente e levou o irmão dela de um jeito cruel. Isso despertavalhe um ódio muito profundo. Especialmente quando se lembrava da série de desgraças pelas quais o seu irmão passara no País A; isso faziaa odiálo ainda mais, com um ódio que lhe vinha das entranhas.
Ao longo de tantos anos, ele nunca aparecera na vida delas.
Ela estava quase a esquecê-lo, quase a acreditar que ele desaparecera para sempre em algum canto do mundo.
Porém, jamais imaginara que ele voltaria de repente.
E ainda por cima, escolhera regressar propositadamente numa altura em que o irmão dela estava prestes a voltar ao país.
Porque é que ele voltava agora?
O que é que ele pretendia?
Qual seria o objetivo por detrás deste súbito regresso?
Após o pico de raiva, o coração de Laís encheu-se de inúmeras perguntas.
Foi então que Lídia conseguiu finalmente conter a onda de emoções complexas, e disse com dificuldade:
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