Laís lembrou-se de como fora histérica no passado e sentiu-se um pouco desorientada:
— O ambiente molda as pessoas. Antes, eu irritava-me com facilidade e era instável. Agora, quase nem me lembro de como é sentir isso.
Jorge sorriu de leve e puxou Laís para os seus braços:
— Quando somos felizes, é muito fácil esquecer o passado.
— Sinto-me honrado por ser a pessoa que te dá essa felicidade.
Os dois entrelaçaram os dedos instintivamente. No exato momento em que Laís ergueu o rosto, Jorge baixou o dele.
Ao encontrarem os olhares, uma onda de ternura fluiu entre os dois.
No segundo seguinte, os seus lábios tocaram-se inconscientemente.
Tinham-se esquecido de fechar a porta.
Foi então que Aline, que mal tinha aprendido a andar, entrou no quarto aos tropeções.
Aline viu exatamente o momento em que Jorge e Laís se beijavam.
A garotinha de pouco mais de um ano, inesperadamente, tapou a boca para rir às escondidas e apontou para eles:
— Papai, mamãe, que vergonha...
Lídia Lima e Dona Zélia, que vinham logo atrás de Aline, não conseguiram evitar rir-se ao ouvir as palavras infantis da menina.
Laís sentiu o rosto arder no mesmo instante. Por instinto, quis levantar-se para pegar em Aline.
No entanto, Jorge adiantou-se e ergueu Aline do chão, dizendo a sorrir:
— Aline, quem te ensinou a dizer 'que vergonha'?
— A nossa Aline é muito inteligente, está aprendendo cada vez mais palavras!
Aline adorava Jorge e, por instinto, abraçou-lhe o pescoço, rindo até fechar os seus grandes olhos num risquinho.
Dona Zélia aproveitou para comentar, com um sorriso:
— A Aline é muito esperta. A sua fala melhora a cada dia, e já pronuncia as palavras com muita clareza. É, de facto, a criança mais inteligente que já vi.
Lídia disse, sorridente:



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