Laís estava tão furiosa que a sua mente ficou em branco por um momento.
Ela já ia ligar o carro quando Jorge abriu a porta do carona e entrou. Só ali o turbilhão de emoções dentro dela se acalmou um pouco.
Ela já não era a pessoa isolada de outrora, que precisava de resolver todos os problemas de forma impulsiva.
Olhando para os olhos gentis e calmos de Jorge, o seu sentimento de raiva foi diminuindo gradualmente.
Nesse momento, Jorge segurou a mão dela e disse num tom suave:
— Laís, compreendo o que sentes, mas a segurança a conduzir está em primeiro lugar.
— Deixa eu ser o seu motorista. Vamos trocar de lugar, tudo bem?
— Quando vires o teu pai logo a seguir, não vou impedir-te de deitar cá para fora tudo o que sentes, mas agora preciso de garantir a tua segurança.
Bastaram algumas palavras de Jorge para que o corpo tenso de Laís relaxasse.
Ela acenou que sim e respirou fundo instintivamente:
— Está bem, conduz tu.
— Desculpa, estou a ser impulsiva. É que simplesmente não consigo aceitar que uma pessoa como ele volte a cruzar-se na vida da minha mãe, na minha e na do meu irmão. Ele não tem esse direito.
Jorge assentiu com a cabeça:
— Eu compreendo, por isso faz o que tiveres de fazer.
— Vamos, vou levar-te lá para vermos o que se passa.
Depois de falar, Jorge desprendeu o cinto de segurança de Laís com as próprias mãos.
Os dois trocaram rapidamente de lugar, arrancaram e em pouco tempo chegaram à entrada da Belle de Nuit.



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