Afinal, a única família de Laís era Lídia Lima.
Mas, desta vez, Felipe Vasconcelos não mediu esforços.
Isso porque, durante todo o trajeto, Zoraida Vargas não parava de falar sobre o quão bem a família Andrade tratava Laís, a quantidade de presentes que haviam preparado para ela e como toda a família a havia acolhido calorosamente.
E todas essas informações Zoraida obteve através do feed de rede social.
Laís e Jorge Andrade não haviam postado nada, mas não faltavam jovens entre os parentes e amigos da família Andrade.
Eles mal puderam esperar para publicar no feed de rede social. A notícia se espalhou rapidamente, e logo toda Marbella sabia do ocorrido. Naturalmente, Zoraida viu tudo.
Zoraida falava sem parar durante todo o caminho, irritando Felipe a ponto de as têmporas dele latejarem.
O motivo de ele ter providenciado tantos presentes caros foi, por um lado, não querer ficar atrás de Jorge e, por outro, estar com uma tremenda dor de cabeça devido ao falatório de Zoraida, preferindo gastar dinheiro para comprar um pouco de paz.
No momento em que pisou pelos portões da família Vargas, a expressão de Felipe tornou-se sombria.
A família Vargas já sabia do casamento civil dele com Zoraida; contudo, ele não sentiu um pingo de alegria naquela casa.
O pátio inteiro estava deserto e frio.
O salão principal encontrava-se completamente vazio.
Ao caminhar até a sala de jantar, Felipe viu de longe que na grande mesa redonda da família Vargas havia apenas algumas travessas de comida, todas verdes e estritamente vegetarianas.
Venceslau Vargas estava sentado à cabeceira da mesa, sem um único traço do sorriso esperado de um pai cuja filha acabara de se casar.
A mãe de Zoraida, Vera Vargas, exibia a mesma expressão severa, sentada rigidamente como uma escultura sem vida.
— Pai, mãe, Felipe e eu voltamos!
Zoraida chamou com uma voz melosa de longe e, em seguida, atirou-se nos braços de Venceslau e de sua mãe.
Felipe, que vinha logo atrás, ergueu lentamente o olhar para o casal Vargas.
Por alguma razão, ele percebeu claramente que a atitude de Venceslau para com ele estava longe da polidez calorosa de quando eram apenas parceiros de negócios. Pelo contrário, estava excepcionalmente fria, e esse gelo fez crescer uma inquietação no coração de Felipe.
Tendo acabado de assinar os papéis do casamento, ele não conseguia simplesmente chamá-los de pai e mãe, limitando-se a acenar levemente com a cabeça, permanecendo de pé com as mãos abaixadas.
Ele compreendia o significado oculto nas palavras de Venceslau.
Não se tratava apenas de desgostar do fato de ele ser divorciado; estava claro que, do início ao fim, a família Vargas menosprezava o agora decadente Grupo Vasconcelos.
Venceslau ergueu os olhos, seu olhar pesado pousando sobre ele, sem a menor piedade:
— Felipe, serei direto. Zoraida foi impulsiva e insistiu em casar-se com você. Não pudemos impedi-la, mas isso não significa que a família Vargas o aceite como genro.
— Você está enfrentando problemas internos e externos, e sua empresa sofre déficits constantes. É você quem precisa se apoiar na família Vargas para sobreviver, não somos nós que estamos ganhando alguma coisa com você.
— Já que estão casados, posso cobrir os prejuízos do Grupo Vasconcelos, mas o dinheiro da família Vargas nunca vem de graça.
Assim que ele terminou de falar, a atmosfera tornou-se sufocante.
A garganta de Felipe apertou, e um súbito pressentimento sombrio emergiu em seu peito.
Antes mesmo que ele pudesse questionar, Venceslau tirou lentamente um documento e o estendeu diante de Felipe:
— Este é um acordo pré-nupcial. Dê uma olhada e, se não houver problemas... assine.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Segunda Vida da Senhora Laís