Um acordo pré-nupcial?
O coração de Felipe deu um salto repentino. Ele ergueu a cabeça rapidamente, olhando para Zoraida:
— Zoraida, antes do casamento, você não me disse nada sobre assinar um acordo.
Os olhos de Zoraida vacilaram e ela desviou o olhar:
— Foi ideia do meu pai, não minha.
Ela se inclinou, enlaçando os ombros de Felipe com as mãos: — Felipe, apenas assine. É só uma formalidade para tranquilizar meus pais.
Ela falou com uma voz suave e manhosa, aproximando-se do ouvido de Felipe e sussurrando:
— Afinal, eu já sou sua, meus pais não podem fazer nada a respeito.
Felipe sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo.
Ao observar a frieza da recepção da família Vargas e a expressão inescrutável de Venceslau, ele teve cada vez mais certeza de que havia algo de errado naquilo tudo.
Após pegar o acordo, Felipe leu cada palavra com atenção, e um suor frio brotou instantaneamente em suas costas.
Aquilo não era um contrato antenupcial, era claramente um contrato de escravidão.
As restrições do acordo eram extremamente severas. Não apenas exigiam que ele fosse submisso após o casamento e colocasse Zoraida em primeiro lugar em tudo, mas também estipulavam que, se quisesse aprofundar a cooperação com o Grupo Vargas, deveria ceder lucros a eles em todas as oportunidades.
Além disso, Venceslau exigia que, de agora em diante, Felipe compartilhasse todos os riscos operacionais com o Grupo Vargas.
O mais absurdo era que, caso Felipe e Zoraida tivessem filhos, a primeira criança deveria obrigatoriamente herdar o sobrenome de Zoraida.
A justificativa dada era ainda mais ridícula.
Eles argumentavam que, se o filho de Laís podia herdar o sobrenome da mãe, era perfeitamente natural e aceitável que o filho de Zoraida herdasse o sobrenome Vargas.
Quando Felipe leu a última cláusula, que dizia em caso de divórcio, será necessário pagar uma multa astronômica de dez bilhões a Zoraida, ele riu de puro ódio.
Vocês estão casando a sua filha ou estão negociando uma mercadoria?
— O acordo é fixo, mas as pessoas são flexíveis. No fim das contas, é apenas um pedaço de papel.
— Desde que você trate Zoraida com sinceridade, no futuro, tudo o que pertence à família Vargas será de vocês dois.
Felipe olhou para a expressão astuta e calculista de Venceslau, e um frio súbito tomou conta de seu coração:
— Eu não vou assinar este acordo.
— O casamento deve ser de comum acordo. Se tudo tiver que ser calculado nos mínimos detalhes e amarrado por tantas regras, então é melhor não casar.
Percebendo que a situação estava longe de ser tão simples quanto parecia, Felipe deu meia-volta, pronto para ir embora.
Nesse momento, Venceslau bateu com força na mesa, repreendendo-o com uma voz grave:
— Felipe Vasconcelos, é assim que você fala com seu sogro?
— Aconselho que você avalie bem a sua situação antes de agir por impulso. Reconheça as nossas posições agora: não somos mais parceiros de negócios, mas sim sogro e genro. Você deve me tratar com o devido respeito.

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