A imagem mostrava exatamente a conversa anterior entre Patrícia Lacerda e as demais na sala de estar da Vila das Rosas.
Na gravação, elas seguravam taças altas, rindo alto enquanto celebravam a morte de Laís, e arquitetavam seus planos de tomar a guarda de Aline e arrebatar todo o patrimônio deixado pela falecida.
As faces gananciosas, venenosas e repulsivas de todas elas foram projetadas com enorme clareza no grande telão, invadindo cada canto do salão.
Aquela gritante distorção de valores escandalizou e redefiniu os limites morais de absolutamente todos os presentes.
Os convidados, que até então estavam confusos e sem entender o que se passava, agora estampavam em seus rostos um evidente desprezo.
Ao se verem projetadas no telão, Patrícia Lacerda, Melissa Vasconcelos e Sofia Ramos ficaram brancas como cera, tomadas por tremores incontroláveis.
Aquela havia sido a conversa mais privada entre elas; não tinham escondido nada umas das outras e haviam se despido de qualquer máscara.
Somente por acreditarem estar em um refúgio de absoluta segurança é que haviam relaxado e agido de forma tão descomedida.
Nenhuma delas, entretanto, poderia sequer imaginar que Laís havia instalado, na surdina, uma câmera de segurança oculta na Vila das Rosas, gravando meticulosamente toda a conversa.
Os convidados que ali estavam para prestar suas homenagens nutriam inicialmente uma enorme compaixão pela desgraça que recaíra sobre Laís.
Dentre eles, encontravam-se vários empresários influentes que já haviam firmado negócios com ela no passado.
Diante das atrocidades escancaradas na tela, o choque coletivo foi irremediável. De imediato, vozes sussurradas começaram a preencher o ambiente, em meio a murmúrios de indignação.
— Eu nunca imaginei que, nos bastidores, a família Vasconcelos fosse tão ávida e desprovida de escrúpulos. É uma falta de caráter que não tem fundo!
— Exato. Se não fosse por essa prova irrefutável do vídeo, quem suspeitaria que essas mulheres da família Vasconcelos fossem tão descaradas?
— Sorte que a Laís não morreu. Se tivesse mesmo falecido, teria sido completamente devorada por esse bando de mulheres, não sobrariam nem os ossos!
Apontando um dedo trêmulo para Laís, Patrícia Lacerda tremia da cabeça aos pés:
— Laís, então era tudo uma armação sua! Você... você estava tramando contra nós o tempo todo, não é?!
— Fui eu que armei para vocês, ou foram vocês que tramaram contra mim?
Laís retrucou, gélida, apontando em seguida para a tela com a voz elevada:
— Peço a todos que olhem no telão para este atestado de óbito. Foi obtido pela Patrícia há alguns dias, por meio de seus contatos especiais no País A.
— De posse deste atestado de óbito, ela se uniu rapidamente a advogados, utilizando a desculpa de supervisionar a minha herança pela minha filha, na tentativa de coagir a minha mãe a abrir mão de todo o meu patrimônio.
— O que está sendo exibido nesta tela constitui um conjunto de provas irrefutáveis que consegui reunir. As atitudes da Patrícia configuram injúria contra a minha pessoa e uma tentativa criminosa de se apoderar dos meus bens.

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