Laís estava cheia de gratidão genuína:
— Essa forma de desabafar foi realmente boa. Jorge, obrigada.
Jorge tentou conter a respiração levemente ofegante e deu tapinhas suaves no ombro de Laís. Após um abraço rápido, os dois se soltaram num acordo tácito.
Ao ver os olhos vermelhos e inchados de Laís, Jorge não disse nada; apenas tirou no momento oportuno um frasco de colírio que já havia preparado e o entregou a ela:
— Esse colírio é muito bom para aliviar o ressecamento.
Laís o pegou, sentindo um traço de surpresa no coração:
— ... Por que você está andando com isso? Não me diga que você sabia que eu...
Ela nunca havia sido tratada com tanto cuidado. Era a primeira vez em toda a sua vida.
Jorge abriu um leve sorriso e não disse nada, apenas tocou a ponta do nariz dela com carinho e, em seguida, abraçou-lhe os ombros de maneira natural e descontraída:
— Bateu por tanto tempo, deve estar com fome, não? Aqui perto tem um lugar de Sukiyaki muito autêntico. Vamos lá provar.
— ! — A expressão de Laís era de puro choque.
Recentemente, enquanto assistia a vídeos na internet, ela viu um famoso restaurante de Sukiyaki e ficou com muita vontade de comer aquilo.
Como Jorge conseguia agir como se pudesse ler seus pensamentos mais íntimos?
Laís realmente começou a duvidar se ele não tinha grampeado o telefone dela. Como ele conseguia entender suas preferências e humores de forma tão precisa?
Após se segurar por um bom tempo, Laís não resistiu e perguntou:
— Jorge, tenho uma pequena pergunta meio boba que queria te fazer.
— O quê? — perguntou Jorge.
— Por acaso você sabe a senha do meu celular e andou xeretando? Senão, como é que você... — indagou Laís.

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