Desde quando Laís tinha em mãos os verdadeiros relatórios financeiros de sonegação fiscal do Grupo Vasconcelos?
Como isso era possível?
Seria possível que ela já estivesse na defensiva, preparando uma saída para si mesma, desde a época em que ainda o amava perdidamente?
Felipe mal conseguia se manter de pé.
Sob o sol escaldante, ele apenas sentiu vertigens atingirem seu cérebro e, logo em seguida, perdeu a consciência, desabando novamente.
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Jorge levou Laís para a Sala da Fúria.
Os dois trocaram de roupa e se posicionaram diante de um enorme saco de pancadas. Jorge entregou um par de luvas a Laís e apontou para o saco:
— Você pode imaginar que esse saco de pancadas é o Felipe. Solte toda a sua raiva e xingue o quanto quiser.
— É melhor colocar para fora do que guardar tudo no peito.
— Não tenho nada para colocar para fora, não estou sentindo nada agora. — Laís tentou disfarçar, fingindo calma.
No entanto, o olhar de Jorge parecia ver através de tudo. Sua voz era profunda, suave e carregada de carinho:
— Minha Laís, na minha frente, você não precisa fingir. Apenas seja você mesma, sem amarras.
— Nenhuma das suas emoções escapa aos meus olhos.
— Esta sala é muito segura e o isolamento acústico é excelente. Não importa o quão alto você grite, ninguém vai ouvir. Eu também vou sair para que você possa colocar tudo para fora sem se preocupar.
— ... — Laís ficou em silêncio.
Se ela não tivesse ouvido mal, ele não havia dito o simples "Laís" de sempre, mas sim colocado uma doçura íntima no seu nome?
De repente, as orelhas de Laís começaram a queimar. Nesse momento, Jorge já havia fechado a porta e saído.
Laís, instintivamente, apertou as luvas em suas mãos, e sua respiração gradualmente passou de ofegante a calma.

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