Isso porque ela, mais do que ninguém, sabia que o seu interior já estava em pedaços. Não suportava receber qualquer demonstração de bondade dos outros, pois... aquela coisa chamada amor já havia morrido em seu coração.
Laís optou por não quebrar aquele muro invisível.
Inclusive, para evitar aquele assunto, apenas abaixou a cabeça e começou a comer loucamente.
Jorge esperou por muito tempo. Já havia imaginado o que ela iria perguntar e preparado a resposta em seu íntimo.
Mas Laís não fez a pergunta. Em vez disso, abaixou repentinamente a cabeça e devorou a comida, parecendo um animalzinho selvagem faminto há milênios.
Ele entendeu a situação em um instante. Sem questionar nada, apenas pegou os pratos favoritos dela em silêncio e colocou na tigela da jovem.
-
A imagem de Jorge e Laís se abraçando foi fotografada por alguém e enviada ao celular de Felipe.
Felipe havia desmaiado mais uma vez, novamente por causa de hipoglicemia e insônia.
Deitado na cama de hospital recebendo soro nutritivo, ele olhava para a foto dos dois abraçados na Sala da Fúria, com uma névoa densa e sombria transbordando de seus olhos profundos.
Então ela estava tentando arruiná-lo por completo porque havia, de repente, se apaixonado por Jorge?
Felipe fechou os punhos com fúria e esmurrou a cama do hospital.
César, que estava de pé ao lado, observava tudo silenciosamente, prendendo a respiração por reflexo.
Ele pegou uma garrafa térmica que havia acabado de encher de água há pouco tempo, prestes a sair para enchê-la novamente.
De repente, ouviu a voz gélida e ameaçadora de Felipe:
— César, quando a minha esposa trabalhava na empresa alguns anos atrás, ela tinha acesso aos livros contábeis verdadeiros do financeiro?
Os passos de César pararam abruptamente. Ele respondeu a contragosto:
— Tinha sim. Naquela época, o senhor não tinha tempo de cuidar dessas coisas, então era ela quem supervisionava. O senhor não se lembra?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Segunda Vida da Senhora Laís