Jorge deu um tapinha no ombro dele:
— O sonífero do meu filho foi a Sofia quem mandou a babá dar. Essa sua prima não é tão inocente e pura quanto você imagina.
E com isso, Jorge disse tudo o que tinha a dizer. Virou as costas e entrou no elevador.
Em relação àquele que no passado foi o seu irmão de confiança, agora uma sombra cobria o seu coração, uma sensação de estranheza difícil de descrever.
Antigamente, entre ele e Felipe, nunca se envolveram questões passionais.
Eles sempre tinham assunto, lealdade absoluta um com o outro e uma sintonia invejável... Mas agora, essa sensação havia mudado de sabor completamente.
Se na época ele não tivesse valorizado o caráter de Felipe, e se Felipe não tivesse insistido que Sofia havia crescido com ele, ele jamais teria entrado naquele casamento de forma tão precipitada.
No fim das contas, confiou no irmão errado, casou-se com a esposa errada e afundou-se em um poço sem fundo por nada.
Sabendo que era um buraco profundo, ele não queria se afundar mais. Mas tentar se soltar também não seria fácil; causaria danos irreparáveis e abalaria todas as estruturas ao seu redor.
De pé no elevador, Jorge sentia-se tão pesado quanto uma montanha, a ponto do próprio elevador parecer não aguentar o seu peso, emitindo leves rangidos.
Felipe ficou ali, parado, atônito.
A sua mente não conseguia processar. A frase que Jorge acabara de dizer continha tanta informação que ele levou um bom tempo para digerir.
Sofia ordenou que a babá desse as pílulas para dormir?
Como isso seria possível?
Como Sofia poderia ser capaz de fazer uma coisa dessas?
Ela...
Os pensamentos de Felipe entraram em colapso. Envolto por uma aura implacável, ele correu como uma flecha em direção ao quarto de Caio.
No instante em que ele empurrou a porta, Sofia estava segurando Caio nos braços.


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