— Você está dizendo que o Jorge acabou de sair? Tem certeza, Felipe?
Sofia arregalou os olhos, incrédula.
O rosto de Viviane também se fechou e ela murmurou, intrigada: — Mas o Jorge foi embora há um tempão! Ele tinha um voo para pegar, como é que ele acabou de sair?
Ao notar a estranheza na voz das duas, Felipe se levantou da cadeira de supetão:
— Eu encontrei com ele no elevador há cinco minutos. Não me digam que o que ele me contou é verdade?
As pupilas já sérias de Felipe adquiriram uma sombra ainda mais intensa.
Ele colocou uma mão no bolso. A aura ao seu redor tornou-se ameaçadoramente fria. E os seus olhos escuros e afiados carregavam uma opressão aterrorizante.
Aterrorizada, Sofia fez de tudo para esconder o pânico em seu olhar, fingindo inocência:
— Do que você está falando, Felipe? O que o Jorge te disse?
Viviane também se desesperou: — É, o que ele disse para você?
Felipe as fuzilou com o olhar. Uma forte desconfiança começava a borbulhar dentro dele.
Ele conhecia bem a personalidade de Jorge; era um homem de palavra, nunca faria julgamentos precipitados com base apenas em suposições.
Juntando as atitudes suspeitas de Sofia e Viviane naquele exato momento, ele já tinha uma vaga ideia do que estava acontecendo. Seu coração sofreu um grande choque, como se ele tivesse engolido mil agulhas. Uma sensação asfixiante e desconfortável tomou conta dele.
Felipe:
— Sofia, me diga a verdade. O que aconteceu com essa história dos soníferos do Caio?
— Uma dosagem tão alta, por tanto tempo, e você diz que foi tudo decisão da babá? Como isso é possível? Você passa o dia inteiro com o Caio e nunca percebeu nada de diferente?
Naquele momento, Felipe sentia-se sem ar.

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