— A verdade, Arthur, é que eu não sei de mais nada! Eu sentia uma atração pela Lucretia, mas agora… eu meio que me apeguei ao que senti inicialmente e não quis largar. Porém, conheci outra pessoa que me faz sentir bem o tempo inteiro. E eu sinto que… que preciso estar com ela!
Aquela situação era complicada demais. Arthur sacudiu a cabeça.
— Alfa, isso é um problema, não é? — ele perguntou. — Porque estamos aqui, o Conselho está chegando. E, se ela não for a sua predestinada, e o vínculo dela com o Alfa Jarsdel for destruído pela audiência que tem o senhor como uma das partes, estaremos com uma baita confusão nas mãos!
Não foi Elijah que entrou com o pedido. Ele iria, mas não foi ele quem marcou aquela reunião de emergência, mas sim o Conselheiro do bando. De alguma forma, ele descobriu sobre o vínculo e, quando questinou Elijah, este não mentiu.
Na realidade, ele estava furioso, porque um “de fora” tomou uma atitude, sem que os reais envolvidos o fizessem. Porém, não tinha como cancelar a reunião. Uma vez que o Conselho ouviu sobre o vínculo, eles não quiseram perder mais tempo.
— E quem é essa fêmea? — Arthur perguntou, sorrindo.
Elijah limpou a garganta.
— Macy.
— Macy! Um nome diferente — Arthur falou. — E de qual bando ela é?
O rosto de Elijah ficou ainda mais constrangido.
— Ela não é de nenhum bando.
— Uma renegada? — ele perguntou.
Mais um limpar de garganta.
— Não, ela é humana, Arthur.
O Beta abriu a boca, sem acreditar. Uma humana? Uma humana poderia se tornar a Luna do bando mais forte do reino? Como assim?
— Ah, mas… calma aí, uma humana? Isso é… eu não estou com preconceito, só… Acho estranho o senhor ser pareado com uma humana. Não acha?
Macy não era fraca. Ela era humana, mas Elijah podia ver que havia um fogo e uma resiliência imensos, nela. Algo que uma verdadeira Luna deveria ter.
Elijah sentiu uma fúria cega, mas, ao contrário de suas explosões habituais, ele se sentiu... lúcido.
— Então talvez o bando precise de um Alfa que escolha a verdade em vez de lendas sopradas por bruxas, Karsyn.
Ele a deixou falando sozinha e seguiu para a sala de Jamil, com Arthur no encalço. Ele precisava de respostas sobre o porquê de sua mente ter se fixado em Lucretia com tanta força no início. Ao chegar perto da porta, ele viu a loira e Darick escondidos em um nicho na parede.
Elijah não rosnou. Ele não atacou. Ele apenas fez um sinal para que eles ficassem quietos e apontou para a porta entreaberta. Lá dentro, Jamil falava com alguém.
— ...o Supremo está acordando, Jeane — a voz de Jamil tremia. — A energia Corbyn está vazando da garota. Se ela descobrir quem realmente é antes de amanhã, nem toda a Prata Viva do mundo nos salvará.
— Ela não descobrirá — a voz de Jeane ecoou, sinistra. — Amanhã, quando ela ver o pai sangrar, o coração dela vai quebrar. E é nessa quebra que o demônio vai entrar. O trono Supremo será meu, Jamil. E você será o meu rei das cinzas.
Lucretia, do lado de fora, sentiu algo dentro dela querer sair. Por um segundo, ela sentiu a presença da loba, que ainda dormia. Uma onda se projetou para fora do corpo dela.
Rhys, no escritório, caiu de joelhos quando sentiu a onda de choque. Elijah, no corredor, precisou se apoiar na parede.

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