O trajeto continuou por mais algumas horas até que as patrulhas de fronteira do ShadowBlood apareceram entre as árvores. Ao verem seu Alfa — o líder que todos pensavam estar morto ou perdido para sempre —, os soldados caíram de joelhos, transformando-se em humanos em sinal de respeito absoluto.
— Alfa! Luna! — o grito ecoou pela floresta.
Rhys estancou, vendo aqueles homens fortes e armados demonstrarem tamanha submissão a ele. Ele sentiu Embry se agitar, querendo assumir o controle, querendo uivar para o bando que seu rei havia retornado. Mas Rhys manteve-se firme, embora intimidado.
— Levem os convidados para a ala de segurança e conforto — Lucretia ordenou, assumindo o comando para poupar Rhys da pressão imediata. — Chamem o Conselheiro Jamil. Digam que o Alfa voltou para casa.
Ao entrarem nos portões da packhouse, a visão de Corrado Bellanti na varanda fez com que o coração de Lucretia acelerasse. O pai parecia lúcido, mas seus olhos se fixaram em Rhys com uma intensidade que beirava o pavor. No entanto, o perigo real não estava na varanda.
Nas sombras do corredor, Jamil observava a chegada de Rhys com uma expressão ilegível. Ele apertou o comunicador em seu bolso.
— Ele está aqui — Jamil sussurrou para alguém do outro lado da linha. — E trouxe testemunhas. Procedam com o plano B.
A entrada na packhouse do ShadowBlood não teve a celebração efusiva que Lucretia imaginara durante suas noites de agonia. Havia um silêncio reverencial, mas carregado de uma eletricidade estática que fazia os pelos dos braços de Rhys se eriçarem em alerta. Os membros do bando formavam um corredor humano, abrindo espaço para que o Alfa passasse. Rhys caminhava com Lucretia ao seu lado, a mão dela sendo o único ponto de ancoragem que o impedia de se sentir um completo impostor naquele lugar de luxo e poder.


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