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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 91

“Entre o silêncio e o desejo, nasce o jogo mais perigoso: aquele que nenhum dos dois quer perder” — Epígrafe original

🎵 Trilha Sonora Sugerida: “Você Sempre Será” – Marjorie Estiano

♫ “Tô com sintomas de saudade...” Tô pensando em você...” ♫

Na manhã seguinte ao terceiro dia no hospital, Enzo retornou à mansão em silêncio. Precisava ver como estava Theo.

O sol já começava a riscar o céu com uma luz tímida e alaranjada, como se o dia pedisse permissão para existir. Ele estava esgotado. Por fora, o mesmo homem elegante e imponente de sempre. Por dentro, um território devastado.

Cada passo pela casa parecia mais lento, como se cada lembrança pesasse toneladas. O silêncio da mansão soava diferente agora — não como poder, mas como vazio.

Theo (o verdadeiro) o aguardava na sala, como se soubesse que aquele momento era importante demais para ser adiado.

— Como ele está? — perguntou o menino, a voz baixa, os olhos firmes.

Enzo se aproximou e pousou uma mão sobre o ombro do filho.

— Instável. Mas vivo. E eu vou lutar por ele, até o fim.

Por um instante, nenhum dos dois disse mais nada. O silêncio se tornou uma ponte entre pai e filho. Uma ponte construída não com explicações, mas com presenças.

— Pai, eu queria... — Theo hesitou — Queria saber mais sobre a minha mãe. Sobre o que a fez me... abandonar. Onde está ela agora. Se refez a vida, como o senhor, se... se tenho irmãos.

Enzo olhou para o filho com surpresa. Ele nunca havia perguntado aquilo.

— Filho... não posso te responder isso. E, não é porque não quero. É porque, não sei nada sobre sua mãe. O que ela fez da vida, se teve outros filhos. Quando se cresce ouvindo que sentimentos são fraquezas, a gente aprende a se calar até de si mesmo.

Ele fez uma pausa.

— Mas estou tentando mudar isso. Por você. Quando tiver idade suficiente para entender os jogos da vida, eu prometo que lhe contarei toda a história que envolveu o seu nascimento...

Theo assentiu. A emoção em seus olhos dizia mais do que qualquer resposta. Aproximou-se devagar e o abraçou.

— Também estou tentando, pai. Vou esperar até que você decida que está na hora de me contar.

Naquele gesto contido e sincero, havia mais verdade do que em anos de convivência forçada. Pela primeira vez, eles estavam tentando se conhecer.

Após dias mergulhado na incerteza sufocante do hospital, Enzo finalmente recebeu a notícia que tanto esperava: Lourenço havia saído do estado crítico. O alívio foi imediato, quase físico, como se uma corrente que o mantinha preso ao chão tivesse sido, enfim, rompida.

Mas a sensação de paz durou pouco.

O fardo da responsabilidade o chamava de volta à realidade, e ele sabia que não podia mais se ausentar da Bellucci Corporation. Ainda assim, não se permitiria repetir os erros do passado. Providenciou uma equipe médica particular para cuidar do avô dentro da própria mansão, garantindo que ele recebesse tudo o que era necessário — e mais.

Enzo não deixaria que o homem que o criou partisse sem dignidade ou cuidado.

De volta à rotina corporativa, o peso das decisões esperava por ele. E, entre todos os compromissos que o aguardavam, havia um que lhe queimava os pensamentos com uma intensidade peculiar: Dayse Lancaster.

Ao entrar em seu escritório, olhou pela janela por longos minutos, ignorando relatórios empilhados. Seu pensamento voou para ela.

― Como ela estaria lidando com sua ausência?

Sabia que Dayse era talentosa, brilhante até. Mas os desafios que ele havia “deixado” estrategicamente no projeto... esses eram de outro nível. Não era uma provocação vazia — era um teste.

E, em algum lugar profundo dentro dele, talvez fosse um pedido silencioso de aproximação.

... Dayse sentiu o impacto da ausência de Enzo mais do que gostaria de admitir. Não por depender dele, mas porque sua presença — incômoda e magnética — ocupava um espaço que ela lutava para ignorar.

A Bellucci Corporation era um campo de batalha disfarçado de escritório. Cada reunião parecia um jogo de forças, cada relatório, uma armadilha pronta para expor falhas. Mas ela não se intimidou. Os desafios estavam postos, e ela estava disposta a enfrentá-los.

Inicialmente, seu plano era ir à empresa apenas uma vez por semana. No entanto, com a ausência prolongada de Enzo, foi obrigada a estar presente todos os dias. Os problemas se acumulavam — e, sem ninguém em quem confiar para resolvê-los, ela mesma teve que assumir o controle.

Dayse reconheceu os obstáculos pelo que eram: armadilhas calculadas.

Enzo queria vê-la vacilar. Talvez quisesse que ela aparecesse à sua porta, implorando por orientação.

Mas ele a subestimou.

— Você acha mesmo que vai me dobrar, Enzo Bellucci? — pensou, os olhos acesos por um brilho desafiador.

— Eu sou feita da dor que você me causou. E ainda estou de pé.

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