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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 74

“Nem todo laço se vê. Alguns se entrelaçam no silêncio de um olhar, no calor de um abraço, no instante em que alguém chama você de filho — e você acredita.” ― epígrafe autoral

...

Theo nunca imaginou que sete dias seriam capazes de transformar tão profundamente sua visão do mundo.

Durante aquela semana ao lado da mãe e dos irmãos, ele experimentou algo que até então lhe era desconhecido: o verdadeiro significado do que seria um lar.

Não uma casa qualquer, onde se come e dorme, mas um espaço impregnado de calor humano, onde o amor paira no ar como uma brisa constante. Um lugar onde ser quem você é basta, sem máscaras, sem expectativas sufocantes.

Ali, Theo não precisava carregar o peso do sobrenome Bellucci, nem desempenhar o papel do herdeiro impecável. Ele podia, enfim, ser apenas um menino de dez anos.

Nos primeiros dias, no entanto, ele manteve uma distância quase instintiva, como se o calor daquele ambiente fosse algo que sua pele, acostumada ao gelo da mansão onde crescera, não soubesse como absorver.

Era um reflexo de anos de frieza e formalidades, um hábito antigo que o protegia, mas também o isolava. Aos poucos, porém, as barreiras começaram a ceder. Cada sorriso genuíno, cada abraço espontâneo, cada conversa despretensiosa foi como uma rachadura na armadura que ele nem sabia estar vestindo.

E, pela primeira vez, Theo começou a entender que um lar não é feito de paredes, mas de pessoas que te acolhem exatamente como você é.

Na mansão Bellucci, afeto era algo ornamental — aparecia nas fotos de revista, mas não nos gestos. Ali, na casa de Dayse, o afeto era real. Tinha cheiro de café fresco, toque de abraço apertado, som de risadas no corredor.

Pouco a pouco, a resistência foi cedendo.

**

No meio da rotina, Theo teve que assumir o lugar de Noah na escola — e foi justamente na semana de provas.

No início, pensou que seria um problema, já que não conhecia a dinâmica da turma, mas, assim que a primeira avaliação começou, ele percebeu que já estavam muito à frente do conteúdo na escola dele.

Acostumado a educação rígida da mansão Bellucci, foi muito fácil pra ele. Theo dominou os assuntos com facilidade e terminou as provas antes da maioria dos alunos.

Alguns colegas o encararam com surpresa. Os professores, com admiração.

Uma professora chegou a comentar:

— Noah, você estudou bastante, hein? Nunca vi você tão concentrado nas provas!

Theo apenas sorriu de canto, sem saber o que dizer. Não podia demonstrar que algo estava fora do comum.

No recreio, Dante e Gael, não perderam a piada:

― Você acabou de ferrar o Noah ― disse Gael, com um sorriso que misturava diversão e provocação.

― Agora ele vai ter que se suar pra manter esse nível ― Ele riu, mas havia um brilho de cumplicidade em seus olhos enquanto estendia a mão e tocava de leve o ombro de Theo, como quem compartilha um segredo ou uma pequena conspiração.

O gesto, embora sutil, carregava uma intensidade que parecia dizer mais do que as palavras.

Theo deu de ombros, um leve sorriso no canto dos lábios.

— Pelo menos até agora ninguém desconfiou de nada — respondeu ele, sentindo um pequeno orgulho de si mesmo. Pela primeira vez, ele não era apenas o "herdeiro Bellucci". Era um irmão entre irmãos, vivendo algo que nunca teve a chance de experimentar.

**

No domingo, a mesa do almoço era um caos alegre.

Dante e Gael disputavam para ver quem empilhava mais panquecas. Theo apenas ria da cena. Dayse servia todos com amor, circulando com o pano no ombro e o sorriso no rosto. De tempos em tempos, pousava o olhar em Theo, que comia devagar, absorvendo tudo.

— Não está gostando da comida, filho? — perguntou ela, tocando de leve sua mão.

Theo ergueu os olhos, surpreso ao perceber que ela se referia a ele.

A palavra “filho” soou diferente e ele não tinha se acostumado ainda com esse tratamento tão carinhoso.

— Tá muito boa, mamãe — respondeu com sinceridade.

Era diferente na mansão, lá a comida era sofisticada, comida gourmet. Mas era sem alma e servida por empregados silenciosos. Não tinha esse sabor. Não tinha esse calor.

Ali, tudo era simples — e carregado de afeto.

Capítulo 74 — Laços Fortalecidos 1

Capítulo 74 — Laços Fortalecidos 2

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