— Você assinou a sentença de morte da nossa mãe! Ela morreu por sua culpa!
O rosto de Karen, coberto de lágrimas, se contorceu em pura dor enquanto ela se virava para Thalassa, com a voz se elevando como uma lâmina rasgando o ar.
— Isso não é verdade! — Gritou, com as mãos tremendo. — Eu não sabia que isso ia acontecer! Como eu poderia saber?
Os olhos de Thalassa se estreitaram, e seu corpo inteiro tremia, consumido por uma fúria que ela mal conseguia conter. No entanto, antes que pudesse responder, Kris surgiu atrás dela com o maxilar travado.
— Então é verdade, Karen? — Perguntou, deixando transparecer incredulidade em cada palavra. — Você contou à Linda que foi sua mãe quem me entregou as provas? Em que diabos você estava pensando?
Karen mal conseguia articular as palavras, com os lábios tremendo enquanto a voz falhava a cada tentativa.
— Eu não quis! Foi sem querer! A gente estava conversando, e... E acabou escapando. Eu não consegui voltar atrás!
Thalassa soltou uma risada amarga, gélida até os ossos.
— Ah, entendi, é com essa desculpa esfarrapada que você tenta acalmar a própria consciência antes de dormir. — Disparou. — Mas nós duas sabemos a verdade: você sabia exatamente o que estava fazendo. Estava com medo da Linda se voltar contra você, então decidiu sacrificar a mamãe no seu lugar.
O rosto de Karen ficou vermelho de raiva, e as lágrimas continuaram a escorrer quando ela devolveu o ataque.
— Pare com isso! Pare de chamá-la assim! Ela é minha mãe, não sua! Você não passa de uma intrusa que tentou roubar o amor dela de mim!
Sua voz rachou, crua de emoção.
— Aliás, tudo isso é culpa sua! Se tivesse ficado longe, se tivesse continuado no buraco de onde saiu quando desapareceu, nada disso teria acontecido! Mas não, você teve que voltar com essa vingança idiota, e olha só no que deu. Ela se foi por sua causa!
Thalassa prendeu a respiração, mas não recuou.
— Eu cheguei a acreditar nisso por um momento. — Disse, com o tom gélido. — Mas não mais. Pela primeira vez na sua maldita vida, Karen, assuma o que você fez!
As duas estavam a poucos centímetros uma da outra, encarando-se com ódio, como se uma fagulha fosse o suficiente para desencadear uma explosão.
— Senhoras! — A voz do padre ecoou forte, cortando o embate. — Este não é o momento nem o lugar para esse tipo de hostilidade. Estamos aqui para homenagear a memória de alguém que vocês amavam, e ela não aprovaria esse comportamento. Por favor, sentem-se, para que possamos continuar a cerimônia.
Thalassa desviou o olhar para o caixão de Rita, com a garganta apertada, e sua voz saiu fraca ao sussurrar:
— Me desculpe, mamãe.
Então, ela se virou, e a mão de Kris pousou suavemente sobre seu ombro enquanto a guiava de volta ao banco da frente.
Karen, por sua vez, hesitou, com as pernas trêmulas, à medida que se inclinava sobre o caixão da mãe, deixando que as lágrimas caíssem sobre o verniz polido.
— Ah, mamãe… — Soluçou, com o coração despedaçado. — Não era minha intenção… Eu juro que jamais quis que tudo chegasse a esse ponto!
Ao lado, o padre repetiu, agora com o tom mais brando, mas ainda firme:
As palavras saíam trêmulas enquanto falava com Rita em segunda pessoa, deixando que as lágrimas caíssem com mais força.
— Você me amou como ninguém jamais amou, foi boa até o fim, e ainda assim me arrancaram a despedida. Não me disseram nada, e não me deixaram sequer ter esse último momento.
A voz se quebrou, mas ela continuou, agora mais agressiva.
— E você não merecia isso. No entanto, nada disso teria acontecido se não fosse por ela! — Apontou com raiva para Thalassa. — Se ela não tivesse se metido com a Linda Miller, você ainda estaria viva. A culpa é toda dela!
O salão mergulhou em um silêncio pesado, quebrado apenas pelo ar ofegante de Karen, que cambaleou de volta ao assento, desviando os olhares dos presentes, que a observavam agora com desprezo mal disfarçado.
Thalassa, por sua vez, levantou-se do banco, caminhando com passos firmes até o altar, respirando fundo para se recompor antes de começar.
— A primeira vez que nos vimos, eu era uma adolescente tímida e assustada. — Começou, com o olhar suavizado. — Eu achava que não tinha direito a ter uma família ou amor, depois de ser rejeitada por tantos lares adotivos. Mas você... Você mudou isso. No fim, me olhou com aqueles olhos gentis e me fez acreditar que eu era digna. E me tratou como se eu fosse sua, mesmo sem ser.
Sua voz falhou, e ela precisou de um instante para engolir o nó na garganta.
— Foi você quem me deu uma família, um lar, e seu sorriso brilhava como a luz mais calorosa que eu já senti, mas agora... Agora nunca mais poderei vê-lo.
Ela hesitou, sentindo a compostura ruir à medida que as palavras vacilavam.
— Eu poderia dizer que estou arrasada, mas nem isso chega perto do que sinto agora. Você sempre estará no meu coração, mamãe, e no de todos que realmente te amaram. Eu nunca vou te esquecer, e por favor... Não me esqueça também enquanto descansa lá em cima. Eu te amo.

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