Com as mãos firmes no volante, Karen dirigia tomada por uma irritação crescente que se intensificava a cada quilômetro percorrido. Já fazia três dias desde a última vez que ouvira a voz da mãe, e o silêncio prolongado apenas alimentava sua apreensão.
Desde que havia dito à mãe que não queria mais manter contato, as ligações diárias tornaram-se uma insistência constante, duas vezes por dia sem falhar. Agora, porém, o silêncio prolongado quebrava o padrão, e essa ausência de chamadas começava a corroer os nervos dela.
"Será que ela já tinha desistido? Ela jamais permitiria que aquilo terminasse assim, não sem sua permissão!"
Naquele instante, dirigia até a casa da mãe, mas não com a intenção de se reconciliar. O que queria, de fato, era lembrá-la de sua traição e fazê-la implorar novamente por sua afeição, só para depois virar as costas mais uma vez.
Ao estacionar diante do portão, franziu o cenho ao perceber que ele não se abriu como sempre fazia. Em seguida, esperou por alguns segundos, cada vez mais impaciente, e então apertou a buzina com força.
No entanto, nada aconteceu.
Irritada, pegou o celular e discou para Bridget, levando o aparelho ao ouvido com pressa.
— Por que o portão está trancado? — Exigiu assim que a ligação foi atendida. — E por que ninguém está vindo abrir?
A voz de Bridget soou baixa, mas o cansaço era evidente mesmo por telefone.
— Porque não tem ninguém em casa, Karen. Estamos todos no funeral dela.
Karen piscou, confusa, sem entender de imediato.
— Funeral de quem?
Bridget suspirou do outro lado da linha.
— Da sua mãe. Perdemos a Sra. Rita há três dias.
O mundo pareceu sair do eixo e Karen apertou o celular com mais força, como se aquilo fosse impedir a verdade de se instalar.
— Não… — Sussurrou, balançando a cabeça, como se Bridget pudesse vê-la se recusando a aceitar. — Isso não pode ser verdade. Você está mentindo.
— Por que eu mentiria sobre uma coisa dessas? — Rebateu Bridget, com a voz embargada. — Ela se foi, Karen. Foi esfaqueada... Duas vezes, e morreu no hospital.
O ar fugiu dos pulmões de Karen enquanto seus pensamentos disparavam, tentando assimilar o que ouvira.
— Do que diabos você está falando? — Gaguejou, atônita. — Quem faria uma coisa dessas? E como vocês não me avisaram sobre o funeral dela?
A voz de Bridget endureceu na mesma hora.
— Talvez se você tivesse atendido minhas várias ligações no dia em que ela morreu, saberia.
Logo, Thalassa se aproximou, diminuindo o tom da voz, mas mantendo o mesmo veneno na fala.
— Imagino que já tenha sido informada sobre quem fez isso, certo? Sua cúmplice. A mulher com quem você tramou durante anos. Foi ela quem mandou matar a nossa mãe.
Os lábios de Karen começaram a tremer enquanto seu rosto se desfazia em desespero, e ela se virou novamente para o caixão, permitindo que os soluços escapassem de forma crua e dolorosa.
— Eu não queria isso, mamãe. — Murmurou entre as lágrimas, chorando descontroladamente. — Eu nunca pensei que a Linda fosse realmente fazer uma coisa dessas.
Thalassa ficou imóvel por um segundo, com o olhar se tornando duro e estreito. Logo depois, avançou, segurando o braço de Karen com brutalidade e virando-a com um aperto inflexível, tão firme quanto ferro.
— Foi você… — Sussurrou com raiva. — Você contou para a Linda! Disse que foi a nossa mãe quem entregou as provas ao Kris!
Os olhos de Karen se arregalaram em pânico, enquanto tentava se explicar.
— Não! Eu não fiz por mal! Só queria que a Linda soubesse que não fui eu. Eu não queria mencionar a mamãe!
Um tapa estalou com força contra seu rosto, com o som ecoando pela capela como um trovão.
— Você sabia exatamente o que estava fazendo! — Gritou Thalassa, com a voz tremendo de ódio. — Você sabia do que a Linda era capaz e, mesmo assim, contou aquilo só para se salvar! Você assinou a sentença de morte da nossa mãe! Ela morreu por sua culpa!

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