O rosto de Rita empalideceu, e sua respiração falhou no mesmo instante em que Bridget soltou um suspiro atrás de Karen.
— O que... O que você acabou de dizer? — Perguntou Rita, com a voz quase inaudível.
Karen fechou os olhos, sentindo a culpa, a vergonha e o medo desabarem sobre ela como uma onda esmagadora.
Em seguida, engoliu em seco, percebendo a garganta repentinamente seca.
— A Tessa não é filha do Kris.
Rita balançou a cabeça com violência, recuando como se tivesse levado um golpe.
— Não. Não, isso não pode ser verdade…
— É sim. — Repetiu Karen, com a voz quebrada ao insistir na verdade.
A mão de Rita voou até a boca.
— Quem... quem é o pai então?
Karen hesitou, com os dedos se apertando contra o tecido do vestido.
— Isso importa?
— Claro que importa! — A voz de Rita subiu, cortando o ar com raiva e incredulidade. — Diga quem é o pai.
Karen desviou o olhar, com o peso da vergonha percorrendo-lhe a espinha.
— É o Henry.
Um silêncio sufocante se instalou, e Rita piscou repetidamente, enquanto a respiração se tornava cada vez mais rápida diante do impacto da revelação.
— Henry? — Repetiu, com a voz carregada de choque. — Quer dizer o amigo do Kris?
Karen abriu a boca para responder, mas não conseguiu, porque um tapa ardente a atingiu com tanta força que a fez cambalear para trás. A dor latejou em sua pele, e ela levou a mão ao rosto, permanecendo imóvel em um silêncio atordoado.
— Como pôde? — A voz de Rita saiu trêmula de fúria, com a mão ainda erguida no ar. — Como pôde fazer isso com um homem bom como o Kris? Você o fez amar e criar a filha de outro homem! Enganou-o junto com um dos melhores amigos dele!
Os olhos de Karen se encheram de lágrimas, não pela dor do tapa, mas pelo nojo estampado no olhar da mãe, e, ao tentar se defender, as palavras lhe escaparam fracas:
— O Henry e o Kris não são mais amigos.
— Isso não importa! — Cortou Rita, com os olhos faiscando de raiva. — Eles eram amigos quando você o traiu! Como pôde enganar o Kris, fazendo-o acreditar que Tessa era filha dele? Você usou a gravidez para obrigá-lo a se casar, mesmo sabendo perfeitamente que a criança não era dele!
A voz de Karen tremeu na resposta.
— Você sabe que eu sempre amei o Kris, mãe. Eu fiz isso porque o amava!
O rosto de Rita se contorceu em repulsa.
— Isso não é amor, Karen. É egoísmo! Você tem noção da dor que vai causar ao Kris quando ele descobrir? — A voz dela caiu, carregada de emoção. — Ele ama tanto a Tessa... Isso vai destruí-lo.
Karen sacudiu a cabeça de forma desesperada.
— Mãe, o Kris ama a Tessa e, em tudo o que importa, é o pai dela. Por que acabar com isso? Pense na Tessa! Ela ama o Kris mais do que qualquer coisa, ele é o único pai que conhece. Quando ele a rejeitar e não a tratar mais como filha, como você acha que ela vai se sentir? Já pensou nisso?
O rosto de Rita se suavizou com tristeza.
— Já pensei, sim. Mas o Kris merece a verdade. Ele tem o direito de saber, mesmo que doa. Ele precisa ter a chance de decidir por si mesmo.
Karen respirou em soluços curtos, passando as mãos pelo cabelo enquanto as lágrimas desciam pelo rosto.
— Não, mãe! Não pode fazer isso! Você diz que me ama, mas é óbvio que não é verdade! Se amasse, não faria isso comigo!
A voz de Rita suavizou, mas a determinação permaneceu intacta.
— Eu amo você, Karen. Mas isso não significa que eu tenha que mentir por você. Eu não vou participar disso.
A mente de Karen fervilhava, certa de que precisava agir e encontrar uma forma de deter a mãe. Então, enxugou as lágrimas com raiva e lançou-lhe um olhar gélido.
— Se contar a verdade ao Kris, eu vou te odiar para sempre. Está me ouvindo? Nunca vou te perdoar! Vai ter que esquecer que tem filha ou neta!
Assim que Karen girou nos calcanhares e saiu, batendo a porta com brutalidade, a expressão de Rita se despedaçou em dor. Ela então desabou no sofá, escondendo o rosto nas mãos, e seus ombros tremeram sob o peso sufocante do desespero.
"O que faria agora?"

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