— Vá embora.
Julia olhou para as portas fechadas e apertou os lábios.
Lucas a soltou, agachou-se e fez um movimento para levantar a saia dela.
Quando Julia tentou se mover, sentiu uma pontada no tornozelo. Ela ofegou, o rosto empalidecendo.
O homem, ainda agachado, ergueu a mão para ampará-la pela cintura.
— Julia, eu ainda sou um cara bonito de um metro e noventa, por que sempre que encosto em você parece que tenho alguma doença fatal?
— Lucas, tire as mãos de mim.
— Tsc, que sensível, Julia. Você me mede pela sua própria régua.
— Existe a chance de eu apenas querer saber se você torceu o tornozelo?
Enquanto falava, apertou o tornozelo dela.
Julia gemeu de dor.
— Sabendo que já machucou esse tornozelo várias vezes, você ainda insiste em usar salto alto.
Lucas levantou-se, com seu tom sempre despreocupado.
— Tudo bem. Não foi uma torção, está apenas um pouco vermelho.
Julia piscou lentamente para a expressão dele e falou em voz baixa:
— Uso porque eu quero.
Sendo que ainda naquela tarde ele estava abrindo a porta para a Clarice e a levando de volta.
Horas depois, já vinha se preocupar com ela.
No começo do casamento deles, quando ela machucava o pé de salto, o Lucas também agia assim.
Só que naquela época, ele era mais imaturo e controlador, erguendo-a nos braços sem se importar com nada.
A situação era parecida, mas o que sentiam já não era mais o mesmo.
— Tá bom, o que você disser é lei.
— Espere no carro, acho que não sai mais ninguém da Família Ribeiro hoje.
— Lucas, sendo tão atencioso, isso não é algum tipo de complô seu?
Julia soltou uma risada meio falsa.
— Que complô eu teria? Julia, estou curioso, qual é a minha imagem na sua cabeça?
— Não devo ser tão horrível quanto um assassino, não é?

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