— O que você vai fazer lá?
Letícia levantou as sobrancelhas e as duas entraram no carro.
— Preciso de mais evidências sobre a Pri para provar a inocência dela. Acho que a Família Ribeiro sabe de algo.
— Não esqueça a origem da mãe dela. Durante todos esses anos, o pai dela nunca se importou. Se você for, pode acabar dando de cara na porta. Não quer pensar em outra alternativa?
Julia deixou escapar um pouco de amargura no olhar.
Como ela não saberia disso?
Se Priscila não estivesse encurralada, Julia não ia querer encontrar a Família Ribeiro.
Durante todos os anos lidando com a Família Ribeiro, Priscila nunca tinha baixado a cabeça.
Mas agora, não havia nada mais importante do que tirá-la de lá em segurança.
Na prisão, sem sequer ter liberdade, para que falar de futuro? De dignidade?
— Se houvesse outra forma, eu não iria atrás dele. Um pingo de esperança é melhor do que nada.
Vendo que Julia já havia se decidido, Letícia não insistiu.
Meia hora depois.
Julia parou em frente à casa da Família Ribeiro e disse a um empregado que queria falar com o Sr. Ribeiro.
O empregado pediu a ela que esperasse na porta.
Pouco tempo depois, o pai de Priscila apareceu.
Ele não havia mudado muito desde a última vez que Julia o viu. Parecia ter passado dos quarenta e olhou para ela com total desconfiança.
— Srta. Cavalcante, você veio por causa daquela filha ingrata, não é?
— Já que o Sr. Ribeiro sabe a que vim, não vou enrolar. De qualquer forma, a Priscila é a sua filha.
— O senhor não precisa contratar um advogado para ela, nem procurar saber o que está acontecendo.
— Só queria tirar algumas dúvidas e perguntar uns detalhes.
— Srta. Cavalcante, não acha que é muito ingênua?
O sorriso do Sr. Ribeiro foi quase cruel. Ele até soltou uma risada debochada.

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