Vivienne sente suas pernas vacilarem diante daquela proximidade e das palavras dele, carregadas de segundas intenções. Seus olhos deslizam pelo corpo dele, quase contra sua própria vontade, enquanto ela luta para reunir cada grama de autocontrole e resistir ao impulso de se render àqueles braços. Quando seus olhares finalmente se encontram, ela percebe as pupilas dilatadas, e as íris de cores diferentes, brilhando com um desejo quase incontrolável, ameaçando fazer seu último resquício de resistência desmoronar.
— Você é um homem muito abusado. — Vivienne repreende, balançando a cabeça numa tentativa desesperada de afastar os pensamentos impróprios, enquanto ele parece se deliciar com seu desconforto evidente. — Um homem irritante e completamente inconveniente. — Acrescenta, sua irritação aumentando a cada instante, acompanhando o sorriso provocante dele. Um sorriso que a deixa dividida entre o desejo tentador de beijar aqueles lábios novamente e a vontade descabida de arrancar aquele sorriso à força. — Por que não vai embora? — Sugere, afastando-se para tentar recuperar algum controle que sua proximidade insiste em roubar.
— Pretendo experimentar essa iguaria estrangeira. Como se chama mesmo? — Dominic responde, com tranquilidade, mãos nos bolsos numa postura deliberadamente provocante. — Depois do almoço, teremos nossa conversa pendente, senhorita Bettendorf. — Afirma, passando por ela com confiança, seguindo em direção à cozinha. — Senhorita, ainda não fui apresentado ao seu nome. — Observa, seu olhar analítico percorrendo rapidamente o ambiente, antes de pousar na mulher que organiza a mesa.
— Como o senhor mesmo admitiu, lhe falta etiqueta. — Joana responde, sem erguer os olhos, embora registre o som dos saltos da amiga se aproximando. — Me chamo Joana Lima. — Apresenta-se, finalmente, observando Vivienne dispor os copos, enquanto Dominic as observa em silêncio, possivelmente incomodado pela observação certeira. As amigas trocam olhares cúmplices, enquanto finalizam os preparativos. — Por favor, sente-se. — Instrui, depositando a pesada panela de ferro sobre o descanso e completando com a salada. — Espero que seja adequado para seus padrões. — Conclui, observando-o assumir seu lugar com uma elegância que parece deslocada naquele ambiente simples.
— Às vezes ele fica sem palavras. — Vivienne provoca, diante do silêncio dele, colocando a jarra de suco de laranja na mesa e assumindo seu lugar. Ela nota a amiga fazendo o mesmo, enquanto Dominic a observa com um olhar que exala fúria silenciosa. — A palavra que procura é “desculpa”. — Continua, cada sílaba destilando sarcasmo, enquanto se diverte com a irritação crescente dele.
— Então siga seu próprio conselho e comece se desculpando, senhorita Bettendorf. — Dominic rebate, seu olhar intenso fixado nela, como se quisesse gravar cada detalhe de sua insolência. — Minha presença aqui é resultado direto de sua infantilidade. — Acrescenta, como se aquilo justificasse sua invasão.
— Típico de homens como você, sempre just...
— Chega! — Joana interrompe, sua paciência esgotada com aquela discussão digna de jardim de infância. — Comam logo, o problema de vocês é fome. — Ordena, arrancando uma risada espontânea de Vivienne, enquanto Dominic mantém sua pose imperturbável, parecendo mais robótico que a própria amiga em seus piores momentos.
Vivienne começa a se servir, mas não consegue deixar de notar como ele parece desconfortável com algo tão simples como um almoço.
— Não seja tão formal, senhor Muller. — Vivienne provoca, sentindo prazer em observar o desconforto dele diante de algo tão simples e casual. — É comida de verdade, não aqueles pratos minúsculos que você deve estar acostumado. — Acrescenta, colocando uma porção generosa no prato dele, com um sorriso travesso.

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