O sorriso de Dominic é uma fachada, tentando esconder sua frustração crescente. Vivienne o manipula como se fosse um peão em seu tabuleiro, desafiando seu controle e despertando nele uma irritação crescente. Ele tenta manter a compostura, mas sente-se vulnerável diante de sua confiança desafiadora.
— Obrigado. — Dominic agradece, com uma polidez forçada. — Fique com isso, imagino que não houve tempo para preparar o almoço. — Afirma, estendendo os pacotes de comida com educação. — Insisto. — Declara, diante da hesitação evidente. — Aparentemente, minha companhia para o almoço esqueceu nosso compromisso. — Comenta, sua voz controlada, mal disfarçando a fúria que ferve por dentro.
— Obrigada, senhor. — A mulher aceita a gentileza com gratidão. — Deseja deixar algum recado para a senhorita Bettendorf? — Oferece, solícita.
— Não será necessário, obrigado. — Responde, dirigindo-se ao elevador. No espaço confinado que parece diminuir a cada segundo, pega o celular e disca para Vivienne. — Onde você está? — Pergunta, sem rodeios, sua irritação transbordando assim que ela atende.
— Quem fala? — Vivienne questiona, e ele pode praticamente visualizar o sorriso provocante em seus lábios.
— Senhorita Bettendorf, não brinque com minha paciência. — Adverte, sua raiva atingindo novos níveis. — Onde você está? — Repete, uma risada amarga escapando, quando ela simplesmente encerra a chamada. — Ah, pequena diabinha, você irá se arrepender dessa provocação. — Murmura, abandonando o elevador com passos decididos em direção à saída.
No apartamento de Joana, Vivienne permanece estirada no sofá, seu corpo tenso, enquanto suas mãos apertam o saco de papel, usando-o compulsivamente para controlar a respiração descompassada.
— Para quem estava quase sem ar, você soou muito controlada ao atender aquela ligação. — Joana comenta, observando a amiga fixar o olhar perdido no teto.
— Não consigo respirar direito. — Vivienne responde, levando novamente o papel aos lábios num gesto quase desesperado.
— Chega dessa palhaçada. — Ordena, abandonando a poltrona e caminhando até ela para arrancar o saco de suas mãos. — Que diabrura você está aprontando dessa vez? — Questiona, encarando-a de cima, com o olhar que sempre usa quando Vivienne apronta algo audacioso.
— Estou perdendo o controle, Jo. — Confessa, sentando-se e baixando a cabeça em derrota. — Acho que os genes dos Muller, já começaram a me contaminar. — Declara, suas mãos pousando instintivamente sobre a barriga, enquanto uma risada descontrolada escapa. — Se continuar nesse ritmo, vou parar direto numa ala psiquiátrica. — Admite, com um suspiro pesado.
— O que foi que você aprontou agora? — Pergunta, acomodando-se ao lado da amiga, com uma mistura familiar de preocupação e curiosidade.
— Eu agredi o Noah. — Responde casualmente, como se estivesse comentando sobre o tempo, observando a expressão da amiga passar de choque absoluto para uma crise histérica de risos.

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